Feira de Ideias, ações, poesia, esperanças, indignações, histórias, lutas, jornalismos…

October 3, 2011

O veneno e a terra para Rose

Filed under: Política - aiculana @ 3:29 pm

Divulgando as duas atividades (ambas "di grátis") do Grupo de Apoio à Reforma Agrária (GARRA) no XII Salão de Extensão da UFRGS. Amanhã, às 18h, vai ser exibido o documentário "O veneno está na mesa", que fala sobre política e sobre a comida que está no nosso prato de uma maneira bem didática. Já na quinta, às 13h30, o documentário "Terra para Rose", sobre uma trabalhadora rural que dizia que preferia morrer lutando a morrer de fome.

Ainda não assisti ao "Terra para Rose", mas me parece que as duas atividades foram pensadas como complementares uma à outra, mostrando os desdobramentos de uma mesma questão no campo e na cidade, não deixando de contextualizar historicamente a luta por justiça social e ambiental. Imperdível!

Oficina-cineGARRA: Documentário: O VENENO ESTÁ NA NOSSA MESA!

Você sabia que cada brasileiro consome em média 5,2 litros de agrotóxicos anuais? com o documentário: "O veneno está na mesa" (Brasil, 2011; 50min. Direção: Silvio Tendler)

Quando: 3ª feira - 04 de outubro 18h

Onde: Entreposto Contra-ponto - ao lado da Faculdade de Educação Campus Central UFRGS

CineGARRA: Documentário: TERRA PARA ROSE (Brasil, 1987; 84min. Direção: Tetê Morais)

Sinopse: Rose é uma trabalhadora sem terra que participa da ocupação da Fazenda Anoni, no Rio Grande do Sul, alvo de uma ferrenha disputa na década de 80. A partir da trajetória da personagem, a autora debate o problema agrário brasileiro, a reforma agrária e documenta a origem do Movimento dos trabalhadores rurais Sem Terra – o MST. 

Quando: 5ª feira - 06 de outubro 13h30min

Onde: local a definir informações Mostra Interativa do Salão de Extensão: Estande 3 Banca de Biodiversidade Campus Central UFRGS


 

Realização:

GARRA - Grupo de Apoio à Reforma Agrária

 

Apoio:

NEA UFRGS - Núcleo de Economia Alternativa

Contra-ponto: Entreposto de Cultura, Saúde e Saber

RODA - Rede Orientada ao Desenvolvimento da Agroecologia PROREXT /UFRGS

April 11, 2011

Peão ainda é explosivo

Filed under: Política - aiculana @ 2:13 pm

Texto do Vito Gianotti (publicado originalmente na edição impressa 422 do Brasil de Fato). O intelectual, educador popular e militante do Núcleo Piratininga de Comunicação estará no I Fórum da Igualdade amanhã.

 

No fim de março, as notícias das revoltas dos peões de obra de grandes construtoras, no norte e nordeste do país, repercutiram até na mídia empresarial. Dia 23 de março, lemos em vários jornais notícias da greve de mais de 25 mil trabalhadores, na construtora da refinaria Abreu e Lima, em Suape (PE). A reivindicação chocou por sua crueza: pagamento de 100% das horas extras, aos sábados, aumento do vale- alimentação de R$ 80 mensais para a soma astronômica de R$ 160,00! Imaginem só. E o consórcio formado pela Camargo Correa e pela OAS, aceitando só R$ 130,00. Enquanto isso, a refinaria Abreu e Lima recebeu R$ 13, 3 bilhões de investimentos da Petrobras.

No dia 24, os jornais noticiaram que havia uma greve nas usinas de Jirau e Santo Antônio (RO), obras das grandes empresas como a Camargo Correa e Odebrecht, que trabalham com recursos do PAC. Neste dia, calculava-se que houvesse quase cem mil trabalhadores da grande construção civil parados, entre Suape (PE), Porto de Pecém (CE) e nas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio.

Em todos os casos, reivindicações básicas: respeito aos direitos mínimos como aumento do adicional das horas extras, melhor atendimento de saúde, melhora da alimentação e do valor do vale refeição. A revolta dos trabalhadores ao total desrespeito pelas empresas às suas reivindicações explodiu, sobretudo, na usina de Jirau. Mais de 45 ônibus e várias instalações da usina foram incendiados. Logo, a lorota da mídia, das empreiteiras e dos seus lambe-botas foi que tudo começou por causa de uma briga pessoal entre peões.

A realidade é bem outra. A classe operária ainda existe. Ainda se revolta. Ainda sabe incendiar ônibus, enquanto as empresas se protegem com a Guarda Nacional e recebem gordos financiamentos públicos. Mas a mídia empresarial e ex-militantes de esquerda e intelectuais arrependidos repetem que a classe operária acabou e que a luta de classes é coisa do passado.

October 1, 2010

“Vou mostrando como sou e vou sendo como posso. Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos…”

Filed under: Política - aiculana @ 1:24 am


Leia escutando:http://www.youtube.com/watch?v=WWfseMcAUZY&feature=related

De 9 a 12 de outubro ocorre o Erecom, que promete ser mais um encontro igual e diferente de todos que já ocorreram.  Parece pouca coisa, mas não é. Te liga que as inscrições vão só até quarta-feira (6/10).

Transformar a sociedade para democratizar a comunicação. Transformar a sociedade para transformar a educação. Democratizar a comunicação para transformar a sociedade. Transformar a educação para transformar a sociedade. Democratizar a comunicação para transformar a educação. Transformar a educação para democratizar a comunicação. Tudo junto e misturado. Tudo isso – e mais um pouco - motivou militantes da Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social) a construir um Erecom Sul (Encontro Regional dos Estudantes de Comunicação da região Sul) sobre comunicação popular.

O encontro contará com debates, oficinas e vivência junto a uma organização comunitária a fim de bolar, ao final, uma proposta da Regional Sul da Enecos (composta por estudantes dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) de trabalho em comunicação popular. De brinde, os estudantes levarão as amizades, as parcerias, a convivência com pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas. Bola de cristal? Não, é a lei natural dos encontros… (e esse texto quase totalmente subjetivo não é à toa: a dimensão da afetividade não pode ser esquecida na comunicação!).

Serviço (agora sim os dados "puramente" objetivos):

Erecom Sul 2010 – Uma alternativa de comunicação popular

Escola Thiago Würth, Canoas - RS

 

- Inscrição:

Diretamente com os mobilizadores locais* ou pelo e-mail erecomsul2010@gmail.com

 

* Os contatos estão disponíveis no blog do encontro (erecomregionalsul.blogspot.com)

 

- Valor da inscrição:

Inscrição + Alojamento* + Alimentação** = R$ 50,00

Inscrição = R$ 10,00

 

*Alojamento nas salas de aula da escola.

** Alimentação composta por café da manhã + almoço + jantar

 

- Programação

09/10 (sábado de tarde) Recepção

Pintura de faixa/funk de luta para acolhida aos participantes do encontro

 

09/10 (sábado de noite) Painel de Sociedade + Grupo de Discussão

Porque um Erecom de comunicação popular? O que é comunicação popular? A história da concepção de comunicação popular. Diferenças entre comunicação popular, popularesca e comunitária.

 

10/10 (domingo de manhã) Painel de Qualidade da Formação + Grupo de Discussão

E a educação para comunicação popular? Como os currículos e projeto pedagógicos das universidades tradicionais têm tratado o assunto. Qual a proposta da Escola de Cultura e Comunicação do MST

 

10/10 (domingo de tarde) Vivência

Visitar uma rádio comunitária

 

10/10 (domingo de noite) Painel de Democratização da Comunicação + Regulamentação profissional + Grupo de Discussão

Experiências de veículos de comunicação popular

Regulamentação profissional e regulamentação do trabalho

Formas de regulamentação para profissionais da comunicação formados e comunicadores populares

 

11/10 (segunda de manhã) Oficinas

11/10 (segunda de tarde) Painel de Opressões + Grupo de Discussão

Uma comunicação popular feita pelos oprimidos

 

11/10 (segunda de noite) Corecom (Conselho Regional das Entidades de Comunicação) + Cultural temática

Avaliação do encontro e construção de uma proposta de comunicação popular da Regional Sul

Confraternização com funk de luta, tambores, teatro, mística

 

12/10 (terça de manhã) Encerramento

Hora da saudade

 

Obs: a programação está sujeita a alterações.

 

 

 

 

August 9, 2010

TV Maxambomba e a comunicação com o povo

Filed under: Política - aiculana @ 5:03 pm

Valter Filé hoje é professor da UFRJ, mas foi um dos protagonistas de uma experiência fascinante em comunicação popular: a TV Maxambomba. Esse foi o tema de seu painel na III Mostra Interestadual do Cinema Paraibano, na edição de João Pessoa, que ocorreu paralelamente ao XXXI Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (ENECOM). Mais informações: www.projetocinestesico.blogspot.com

Foi em Nova Iguaçu (RJ), entre o início da década de 80 e meados da década de 90 que a TV Maxambomba teve lugar. A proposta inicial consistia em exibir seus programas educativos em associações de moradores de bairros. O sucesso aparente numa única comunidade (entre tantas com fraquíssima audiência) foi desmascarado pelos realizadores quando descobriram que o intento-mor do público ali presente era receber o vale-leite. Assim como hoje é a frequencia das crianças na escola para o Programa Bolsa Família, a presença na sala onde eram exibidos os programas da Maxambomba era pré-requisito para o recebimento do vale-leite.

A crise gerou uma mudança de paradigma. Em vez de levar às comunidades discussões encaixotadas e bem lacradas, a TV Maxambomba passou a levar questões que suscitassem discussões. Depois das exibições, a câmera era ligada à TV e se voltava para os telespectadores. Passou enfim a ser uma TV mais paulofreireana, entendendo a comunicação como troca e não como uma via de mão-única. Não faz comunicação, estabelece processos de comunicação, como sentenciou Valter Filé. E essa mudança de paradigma ensejou também uma mudança no local de exibição: saem de cena as associações de moradores, entram as praças públicas de Nova Iguaçu.

Em 92, o roubo dos equipamentos muda os rumos da TV. Os comunicadores passam a propor oficinas nos bairros, já que naquela época passava a ser comum as pessoas adquirirem câmeras para filmar aniversários e casamentos. No mesmo período lançam o Projeto Videocartas, no qual os alunos de uma escola enviavam uma videocarta para os de outra. Um pergunta, outro responde. Outro projeto visava descobrir maneiras de assistir tv. Os comunicadores iam assistir a um mesmo capítulo da telenovela na casa de três pessoas aleatórias. Enquanto as pessoas assistiam, a câmera da Maxambomba ficava em cima do televisor. No intervalo comercial rolavam discussões sobre a novela e questões do país. E os debates eram sempre diferentes nas três casas. Na época distantes do meio acadêmico, os realizadores descobriram na prática as infinitas maneiras de assistir TV. Com o material em mãos, faziam uma edição e levavam para os telões das praças.  

Tem muito mais coisas interessantes sobre a Maxambomba e pode ser que eu tenha me passado na cronologia (já que não coube muita coisa no papel que eu tinha em mãos para anotar), mas o mais importante é que a Maxambomba inspira realizadores até hoje. Como disse Filé, a TV foi criada em resposta a uma conjuntura de redemocratização do país, por isso nos cabe sermos saudosistas. Há que se olhar para o passado, sim, mas sempre buscando as novas respostas que o momento histórico exige. E ainda hoje há experiências interessantíssimas que você e eu não conhecemos (não sei você, mas depois dessa fiquei com uma vontade imensa de conhecê-las). 

June 24, 2010

Unisinos realiza pré-Enecom na segunda-feira (28)

Filed under: Política - aiculana @ 9:08 pm


 

Atividade visa informar os alunos sobre o XXXI Enecom e debater a influencia da mídia

Visando fomentar o debate sobre a comunicação popular, o XXXI Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação ocorrerá neste ano em João Pessoa (PB). De 25 de julho a 1 de agosto mais de 500 estudantes de todo o Brasil estarão na UFPB convivendo, discutindo, trocando experiências, se divertindo, se formando, a fim de construir uma comunicação contra-hegemônica.

Mas que é o Enecom? O Enecom é uma confluência de pessoas, idéias, projetos – de vida e de sociedade. Um espaço coletivo onde é possível conhecer coisas e dar-se a conhecer. Um espaço essencial para entendermos porque lutar pela democratização da comunicação, pela qualificação do ensino de comunicação, pelo fim das opressões (racial, sexual, de classe). É convivendo que conseguimos conhecer a nós mesmos. E perceber que, afinal de contas, temos diferenças, mas temos que caminhar juntos porque o que temos em comum é muito maior.

Palavras são importantes num encontro, mas não só. Não se trata meramente de acumular informações, de conhecer sotaques diferentes, fazer contatos. É muito mais do que isso. Mas, então o que é o Enecom? Impossível dizer em palavras o que só pode ser sentido.

Objetivamente são painéis, apresentações de trabalhos (acadêmicos e empíricos), vivências junto a movimentos sociais, grupos de discussão e trabalho e convivência ininterrupta. E isso é muita coisa, mas não diz quase nada comparado ao que é, de fato, o Enecom.

PRÉ-ENECOM - A mobilização para o encontro já iniciou há tempos. Os militantes da Enecos vêm realizando pré-encontros em seus respectivos estados a fim de propagandear as bandeiras da executiva e dar uma palhinha do que será este grande encontro.

O coletivo Enecos RS realizou, na última quarta-feira (23), seu primeiro Pré-Enecom, no Auditório da Fabico (UFRGS). Após uma conversa sobre a Enecos, os presentes assistiram o documentário Un poquito de tanta verdad, sobre a resistência dos professores no departamento de Oaxaca (México), onde uma greve ocasionada pela falta de materiais escolares e alimentos obteve o apoio massivo da população (em grande parte graças à Radio Plantón, comandada pelos manifestantes). O acampamento dos professores deu origem à APPO (Assembleia Popular de Los Pueblos), que existe até hoje como uma ferramenta dos trabalhadores. O documentário mostra como os meios de comunicação podem ter um papel decisivo na (in)formação do povo, que resulta em seu empoderamento e, por conseguinte, fortalece sua luta.

Ao final, o professor de Jornalismo da UNISINOS e militante da ABRAÇO (Associação Brasileira das Rádios Comunitárias), Bruno Lima Rocha, facilitou o debate sobre o documentário. Bruno comentou que enquanto no Brasil 11 famílias controlam mais de 70% das comunicações, no México há um “duopólio”. Há duas redes de TV, sendo que o detentor da Televisa, Carlos Slim (um dos homens mais ricos do mundo), detêm também os serviços de telefonia.

A forte repressão policial – latente em toda a película – continua. Bruno relatou que há pelo menos um dos entrevistados no documentário que está desaparecido. O documentário Un poquito de tanta verdad pode ser assistido aqui.

UNISINOS – Segunda-feira é dia de Pré-Enecom na Unisinos, onde será exibido o curta-metragem “Levante Sua Voz”, produzido pelo coletivo de comunicadores Intervozes. Em seguida, haverá um debate sobre a influência da mídia na sociedade com Bruno Lima Rocha. O debate inicia às 19h e ocorrerá no Centro 3 (Bloco E - Sala 105). A entrada é franca.

Mais informações:

http://enecomparaiba2010.blogspot.com/ (Blog do Enecom 2010)

http://www.enecos.org/ (Blog da Enecos)

June 22, 2010

O Morro Santa Teresa continua sendo do povo!

Filed under: Playground - aiculana @ 1:31 pm

 Vitória! O morro Santa Teresa é nosso, mas qual é o padrão de manipulação utilizado nesta notícia?

Primeiramente, é o padrão de inversão. A informação principal - de que o PL 388 era contestado pelos moradores do Morro, que obviamente não queriam perder sua casas - está lá no final da matéria. A questão da descentralização da FASE, sobre a qual o projeto não fala, é o mote. ZH junta esta informação falsa com uma verdadeira e produz um efeito perverso: se mesmo a oposição é favorável à descentralização, por que serei contra? Por esses motivos que constam na finaleira da matéria: "As críticas envolviam questões referentes à alienação do terreno, incluindo a falta de informações sobre seu valor, o destino de famílias hoje residentes no local e a situação de áreas de preservação ambiental abrangidas pelo imóvel."? Se está no fim, não deve ser tão importante: é tudo intriga da oposição, que quer criar um fato político para desgastar o governo! Moradores? Devem ser uns 6, no máximo! Preservação ambiental? Isso é firula, devem ser no máximo duas arvorezinhas! Valor? Ah, isso eles inventaram porque sabiam que as outras desculpas não colariam.

Ocultação - Será que o fato de os 20 mil moradores do Morro estarem sendo expulsos mesmo tendo direito à moradia (conforme a Constituição da República do Brasil) naõ constitui um fato jornalístico?O fato de a compradora do terreno ser a Maiojama (da RBS) não é jornalístico? O padrão de ocultação é isso: alguns fatos são escondidos sob a pecha de não serem jornalística, o que é absolutamente descabido, como diz Perseu Abramo (numa frase que já esteve por este blog):

 

Ora, o mundo real não se divide em fatos jornalísticos e não-jornalísticos, pela primária razão de que as características jornalística, quaisquer que elas sejam, não reside no objeto de observação, e sim no sujeito observador e na relação que este estabelece com aquele.

O "jornalístico" não é uma característica intrínseca do real em si, mas da relação do jornalista, ou melhor, o órgão do jornalismo, a imprensa, decide estabelecer com a realidade. Nesse sentido, todos os fatos, toda a realidade pode ser jornalística, e o que vai tornar jornalístico um fato independe das suas características reais intrínsecas, mas depende, sim, das características do órgão de imprensa, da sua visão de mundo, da sua linha editorial, do seu projeto, enfim, como se diz hoje.

Por isso o padrão de ocultação é decisivo e definitivo na manipulação da realidade: tomada a decisão de que um fato não é jornalístico, não há a menor chance de que o leitor tome conhecimento de sua existência por meio da imprensa. O fato real foi eliminado da realidade, ele não existe.

O fato real ausente deixa de ser real para se tornar, se transformar em imaginário. E o fato presente na produção jornalística, real ou ficcional, passa tomar o lugar do fato real e a compor, assim, uma realidade diferente da real, artificial, criada pela imprensa.

Fragmentação - A descontexualização é essencial para que se consiga dizer que sem vender o terreno não dá para descentralizar a FASE. Como assim, o governo não tem dinheiro? E depois, não se pode manter sequer UMA unidade lá (uma vez que 30% das famílias dos internos são residentes no Morro)?

Para ler parte do ensaio de Perseu Abramo sobre os padrões de manipulação, clique aqui.

June 21, 2010

Debate na Fabico!

Filed under: Política - aiculana @ 12:04 am


ENECOS CONVIDA PARA PRÉ-ENECOM (ATIVIDADE PRÉ-REQUISITO PARA PARTICIPAÇÃO NO ENECOM PB):

 

Apresentação da Enecos e do Enecom Parahyba com representante da Executiva

+

Exibição do documentário OAXACA. UN POQUITO DE TANTA VERDAD, seguida de debate sobre comunicação e organização popular com Bruno Lima Rocha (professor de Jornalismo da Unisinos e editor do site “Estratégia e Análise”).

 

 

Data? 23 de junho, quarta-feira

Local? Auditório da Fabico (ou no futuro bar, dependendo da vontade do freguês).

(Rua Ramiro Barcelos, 2705)

Quanto? Absolutamente gratuito

June 20, 2010

Enecom Ceará 2009, ou por que lutar?

Filed under: Playground, Política - aiculana @ 11:58 pm

Da gaveta do meu computador. Um textinho bem levinho. (Só faltou dizer que as festas foram excelentes: temáticas, coloridas e politizadas - quer mais?)

Enecom não diz o que fazer, mas mostra que, sim, é necessário que se faça alguma coisa.

O Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação é um espaço de formação política e acadêmica, articulação política, sensibilização para as lutas sociais e, claro, confraternização (500 estudantes de todo o Brasil reunidos, queria o quê?). E desde pelo menos dois anos atrás é um espaço em que a Fabico não comparece. E o Enecom é um espaço que vale a pena. E falo do alto da experiência de alguém que já participou de 2 Enecons (uiuiui).

O Enecom 2009, intitulado “Sociedade em desconstrução: faça da sua indignação a sua comunicação”, ocorreu em Fortaleza no final de julho. O encontro contou com pelo menos uma inovação em relação ao anterior: o sistema de brigadas. Quem conhece o MST sabe que o movimento se organiza em brigadas ou núcleos de base (NBs). Nesse sistema, cada brigada é responsável por uma tarefa. No nosso caso, as brigadas eram por cor (azul, amarela, verde e branca, etc.) e em cada dia tinham uma tarefa (p. ex.: chamar as pessoas para os painéis, “limpar o terreno” depois da festa, lavar a louça, acordar as pessoas de manhã – essa era a mais divertida). As brigadas também se reuniam após cada palestra, debatiam entre si e tiravam representantes para levar à plenária o que haviam discutido. Era uma tentativa de fazer com que as pessoas se sentissem mais à vontade para falar. Como tímida de plantão, tenho autoridade para dizer que a iniciativa foi exitosa.

Gilmar Mauro (líder do MST) abriu a primeira mesa falando, dentre outras coisas, sobre a crise ecológica, energética, alimentar e econômica e a importância da organização política. Sua fala foi precedida por uma mística elaborada pela Comissão Organizadora e por um breve histórico de lutas da Enecos (“nossa menina” estava completando 18 aninhos na ocasião). A mística visava provocar o encontrista a relacionar as marcas que consome (MC Donald’s, Volkswagen, etc.) à exploração da classe trabalhadora e à exclusão social. Foi de arrepiar.        

No outro dia aconteceu o Núcleo de Vivência, quando a criatura podia escolher se ia prum assentamento do MST, uma ocupação e mais um zilhão de coisas. Resolvi, de curiosa, ir ver o MCP (Movimento dos Conselhos Populares), do qual nunca tinha ouvido falar (provavelmente porque ele só existe em Fortaleza). Trata-se de mais um caso de despejo de uma população em benefício da especulação imobiliára (qualquer semelhança com o que ocorre aqui não é mera coincidência).

Na mesa de Comunicação e cultura popular, uma antropóloga e – porque não dizer – militante carioca (cujo nome não lembro, não anotei e nem achei por aí :p) falou sobre a criminalização do funk nas favelas do Rio de Janeiro. Sim, criminalização. A realização dos bailes funk está condicionada a uma autorização e ao cumprimento de normas impraticáveis, regulamentadas pela Lei Álvaro Lins. Em reação a Lei a APAFUNK (Associação dos Profissionais e Amigos do Funk) resolveu fazer rodas de funk (como as de samba). Não funcionou. A partir de então a lei passou a considerar que duas pessoas dançando já caracterizariam baile funk. Para fulana, trata-se de uma política pública equivocada, já que o funk proibidão (no qual ocorrem violências) é apenas um microcosmo do funk. O olhar da mídia, observa, além de criminalizante é autoritário, pois “identifica uma população a partir de uma carência e não a partir do que existe”. Elas são as populações miseráveis, marginalizadas, sem saneamento básico, sem escola, sem terra.

       

Na mesa de educação Ivan Lessa, professor de filosofia (que tem um livro muito bom e muito didático chamado “Introdução à filosofia marxista”, da Ed. Expressão Popular), falou da educação como um todo. Vinícius, estudantes da UFS e membro da Enecos, por sua vez, fez o gancho com a comunicação. O universal se particulariza. O todo está na parte; a parte está no todo. Vinícius rebateu a afirmação de que os cursos de Comunicação seriam exclusivamente técnicos, para ele ”aprendemos a teoria crítica e reproduzimos a técnica conservadora”. Apontou a necessidade de se lutar por cadeiras como Comunicação Comunitária, Comunicação e Educação, Comunicação e Movimentos Sociais. Indicou também as debilidades da aplicação do tripé ensino, pesquisa e extensão: “O ensino é universal, a pesquisa e a extensão, não”. (Claro que todas essas palestras foram entremeadas por conversas com pessoas de Fortaleza, Aracaju, interior da Bahia, João Pessoa, São Luís do Maranhão, Teresina, São Paulo, Florianópolis, Cuiabá, Natal… Como diz a minha amiga e companheira de viagens malucas pelo Brasil, “o Brasil é grande”. E eu diria mais: o Brasil é muito grande. E os problemas são (muito) parecidos.)

E uma manifestação de rua pela realização da I Confecom e contra a criminalização dos movimentos sóciais. (Alguns se manifestaram contra o fim da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista, quebrando um acordo firmado no Cobrecos.)

Plenária final: Cobrecos (Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação) em SP, inscrições de chapas para gestão, renúncia de um membro da executiva da regional Sul (por conta de reverberações da manifestação, história para outro post)…

E a conclusão? O Enecom não é um oráculo que nos fornece respostas (apesar de, no final de todas as palestras, um desavisado fazer “aquela” pergunta: “ta, mas e aí, que fazer?”). O Enecom é um lugar de idéias. De cliques. De maconha e putaria, sim. E, sobretudo, uma utopia: o lugar em que um contingente de lutadores de diversos lugares do país troca experiências. Claro que tem muita gente que vai pra “turistar”, mas aí é outra história (a história de quem reclama dos políticos e faz uso de dinheiro público para conhecer o Brasil).

June 14, 2010

Debate

Filed under: Política - aiculana @ 5:20 pm

CineGARRA


O Grupo de Apoio à Reforma Agrária (GARRA) convida toda a comunidade para assistir e debater os filmes, em mais uma edição de nosso projeto de Extensão:

 

"Por que não comemos eucaliptus?"

e

"Rompendo o Silêncio"

Dia: 16/junho, quarta-feira as 18h

 

Local: parede externa da FACED - C.Centro, UFRGS

 

Entrada Franca

 

Contamos com a sua presença e agradecemos se puderes divulgar entre seus contatos.

GRUPO DE APOIO À REFORMA AGRÁRIA - GARRA

PROREXT - UFRGS

ANATEL fecha Rádio Comunitária Outorgada

Filed under: Injustiças - aiculana @ 3:31 am

"Hoje, no dia 10 de junho de 2010, ocorreu o mais arbitrário fato até então vivenciado na radiodifusão comunitária do Brasil. A Anatel fechou, bem como apreendeu os equipamentos da Rádio Comunitária de Santa Cruz do Sul, sendo que esta estava funcionando e forma legalizada, com outorga concedida pelo estado brasileiro inclusive pelo congresso nacional.

Os técnicos, sob a argumentação de que a rádio estaria fora das especificações técnicas,apreenderam com o auxílio de força policial os equipamentos que possibilitam que á rádio permaneça no ar. Quando na verdade o máximo que poderiam fazer, antes de que fosse comprovada qualquer irregularidade, seria lacrar os equipamentos.

Mais aqui

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