Função social do jornalismo?
Falta estudar ética… para todas as pessoas, mas principalmente para os jornalistas (que muitas vezes não têm noção dos desastres que podem causar). Claro que a ética não basta, como diz a sabedoria popular: de boas intenções o inferno está cheio. Mas, na atual conjuntura (quando a "função social" do jornalismo é motivo de piada num churrasco de formandos em Comunicação), um pouquinho de ética não faria mal. Seguem algumas citações de dois artigos do livro "Jornalismo Ambiental: desafios e reflexões" (org. Ilza Girardi e Regis Schwaab. Editora Dom Quixote e Núcleo dos Ecojornalistas do RS), quem sabe ajude…
"Transformando a proposta de jornalismo ambiental de Bueno para o jornalismo em geral, com relação à reportagem teremos o seguinte: cada reportagem representa um compromisso exercido a partir de uma visão particular de mundo e deve ser planejada e executada em função disso. Se a pauta, as fontes, o foco da entrevista não estiverem respaldados em um olhar multi e interdisciplinar, politicamente engajado, planetariamente comprometido, teremos uma reportagem que falseia os interesses da maioria, despossuída de valores políticos e econômicos". "O fim da objetividade e da neutralidade no jornalismo cívico e no ambiental", Beatriz Dornelles.
O jornalismo ambiental possui "inúmeras funções, mas é possível ressaltar de imediato três delas: 1) a função informativa; 2) a função pedagógica e 3) a função política
A função informativa preenche a necessidade que os cidadãos têm de estar em dia com os principais temas que abrangem a questão ambiental, considerando o impacto que determinadas posturas (hábitos de consumo, por exemplo), processos (efeito estufa, poluição do ar e água, contaminação por agrotóxicos, destruição da biodiversidade, etc.) e modelos (como o que privilegia o desenvolvimento a qualquer custo) tem sobre o meio ambiente e, por extensão, sobre a sua qualidade de vida.
A função pedagógica diz respeito à explicitação das causas e soluções para os problemas ambientais e à indicação de caminhos (que incluem necessariamente a participação dos cidadãos) para a superação dos problemas ambientais.
A função política (aqui entendida em seu sentido mais amplo e não obviamente restrita à sua instância meramente político-partidária) tem a ver com a mobilização dos cidadãos para fazer frente aos interesses que condicionam o agravamento da questão ambiental. Incluem-se entre esses interesses a ação de determinadas empresas e setores que, recorrentemente, têm penalizado o meio ambiente para favorecer os seus negócios (indústriaagroquímica, de biotecnologia, de mineração, de papel e celulose, agropecuária, etc.). Incorpora também uma vigilância permanente com respeito à ação dos governantes que, por omissão ou comprometimento com os interesses empresariais ou de grupos privilegiados da sociedade, não elaboram e põem em prática políticas públicas que contribuem efetivamente para reduzir a degradação ambiental." "Jornalismo Ambiental: explorando além do conceito", Wilson da Costa Bueno.
Prontofalei. Citações gigantes porque estou com preguiça de escrever (calor).
Precisamos retomar urgentemente a luta pela Qualidade de Formação do Comunicador dentro da Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação)!!!

A Folha de S.Paulo destaca, na edição de segunda-feira (23/11), que as indústrias que mais poluem no Brasil e que mais contribuem para a emissão de gases do efeito estufa são também as que mais influenciam as comissões do Congresso Nacional encarregadas de encaminhar as votações da legislação ambiental.

