Parece piada

June 28, 2009

Há mais ou menos 4 anos, desde que eu passei no vestibular para Comunicação Social - Habilitação Jornalismo - ou um pouco antes disso -, enchia o saco do meu pai para que cancelasse a assinatura de Zero Hora. Utilizava argumentos contra a grande imprensa e especificamente contra o Zero Hora (periódico de consevadorismo inigualável).

Pois nesta semana, quando me conscientizei não de que ler jornal é importante para uma jornalista - isso eu já sabia há tempos -, mas sim de que não consigo lê-lo na internet (e já ouvi essa reclamação de outras pessoas, talvez não seja culpa minha e sim do site, que é de difícil navegação). Enfim, liguei pro 0800 e fiz uma assinatura "light" do periódico (sem a imensa maioria dos cadernos).

Imaginem vocês que ao vir passar meu primeiro final de semana como assinante de ZH na casa de meus pais descubro, com espanto, que meu pai não renovou a assinatura depois de 13 anos! "Ué, não era tu que pedia pra eu cancelar?". "Sim, pai. Acontece que eu preciso ler para poder criticar."

O que me preocupava era o fato de meus pais lerem somente ZH e outro jornal da cidade. Como se diz, só jornalistas lêem mais de um jornal por dia (e este é o problema). Estou feliz pelos meus pais. Agora ficarão só com o Gazeta do Sul. Desintoxicação? Nada. Ainda tem o RBS Notícias (o telejornal) e a Rádio Gaúcha (também do grupo RBS).

Aliás, em tempos de Conferência Nacional de Comunicação, vale indicar uma leitura: 

Caso RBS: Procurador espera sentença ainda este ano

19/06/09

Naira Hofmeister *

Através de uma Ação Civil Pública, o Ministério Público Federal de Santa Catarina pede que o Grupo RBS abra mão de um dos seus cinco diários que circulam no Estado e escolha apenas duas, entre as seis emissoras da RBS TV regional. “Ainda esse ano podemos ter uma sentença. Porque essa ação tem instrução, ela se prova”, acredita o procurador da República no Estado de Santa Catarina, Celso Três.

A acusação é por formação de oligopólio. “É um conceito da ordem econômica, mas se aplica aos meios de comunicação porque suprime empregos, mexe no mercado local”, justifica. Com um agravante, sublinha o procurador. “Nesse caso, a concentração atinge o Estado Democrático de Direito porque bloqueia a garantia de ampla expressão e informação do cidadão. Só é possível haver múltiplas interpretações dos fatos da vida social a partir da pluralidade de órgãos de comunicação. O que não acontece em Santa Catarina”, acusa.

A ação foi ajuizada em novembro de 2008, mas o inquérito consumiu dois anos da rotina de Celso Três. A decisão de processar o grupo foi tomada em 2006, quando a RBS comprou o tradicionalíssimo jornal A Notícia, instalado há mais de 80 anos no município de Joinville. “Foi a gota d’água”, relata Três. “Todos os jornais de Santa Catarina são da RBS: A Notícia, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e Hora de Santa Catarina. Excetuados, é claro, os minúsculos, locais, sem qualquer expressão de rivalizar com a RBS”, sustenta a peça jurídica assinada por ele e outros três procuradores da República.

Apesar disso, nem o Ministério das Comunicações nem o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenam a compra do jornal A Notícia. Eles aceitaram o argumento da empresa, de que os veículos estão em nome de pessoas diferentes. “Os proprietários são da família Sirotsky e existem alguns laranjas. Mas se os veículos trazem a mesma manchete – ou transmitem a mesma programação – está caracterizado o oligopólio. É absurdo dizer que não!”, revolta-se Celso Três.

A certeza do procurador fica explícita na nomeação dos réus no processo. São treze ao todo – União, Cade e apenas duas pessoas físicas. Os demais citados são pessoas jurídicas, proprietárias das emissoras e jornais. Os responsáveis pelos CNPJs, no entanto, são todos ligados à família. A única exceção é Moacir Gervazio Thomazi, antigo proprietário de A Notícia.

Citado nominalmente, o presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky é também o responsável por quatro veículos que respondem à ação. Outras duas pessoas da lista compartilham seu sobrenome: Denise e Marcelo, que respondem respectivamente pelas emissoras da RBS TV em Criciúma e Joinville. Já as televisões de Chapecó e Joaçaba estão representadas por Eduardo Magnus Smith, diretor executivo de desenvolvimento de negócios do Grupo RBS.

Além de pedir a devolução do jornal A Notícia ao dono anterior – ou sua venda para um grupo independente da RBS – o processo foca a concessão de radiodifusão, que é uma outorga pública. O Decreto-Lei nº 236, publicado em 1967 estabelece que nenhuma empresa ou pessoa pode ter mais de dez emissoras de televisão em todo o território nacional. A RBS possui 18, apenas de canal aberto. Também impede a concessão de mais de duas por Estado – só em Santa Catarina o grupo mantém seis canais locais que transmitem a programação da RBS TV, além do Canal Rural e a TV Com, que só abrange Florianópolis. “Isso é lei desde a época dos militares”, justifica Três.

Constituição

“A maior rede regional de TV do País conta com 18 emissoras distribuídas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com uma cobertura que atinge 790 municípios e mais de 17 milhões de espectadores nos dois estados. Possui 85% da grade de programação da Rede Globo e 15% voltada ao público local”. Essa é a descrição que o site do Grupo RBS dá para a Rede Brasil Sul de televisão, a RBS TV. É um tiro no pé. Isso porque a Constituição Brasileira determina que 30% da programação de rádio e TV devem ser locais.

Regulamentado ou não, o artigo é o argumento que o procurador da República utiliza na peça jurídica. “Já que a legislação está trancada no Congresso – o que é uma vergonha – queremos que a justiça estabeleça esse critério. Porque quando se fala em programação local, estamos falando em direito de expressão do cidadão”, justifica o procurador da República.

Celso Três admite que modificar – ou fazer cumprir – a legislação não é uma tarefa fácil. “Tem que ter coragem para fazer isso. Cabe ao presidente da República fazer um pronunciamento em rede nacional, explicar para sociedade. Vai ter muita emissora que vai criticar, é claro. Os 30% são razoáveis, ainda sobra 70% da grade para a programação nacional. Isso enseja a diversidade”.

Empresa é um partido político

Para além do poderio econômico que uma empresa do tamanho da RBS (veja quadro abaixo) detém, uma das maiores preocupações do Ministério Público de Santa Catarina é com a pressão política que o grupo pode exercer. “Uma situação é você ter a televisão, ser transmissora da Globo – e todo mundo sabe que o País só assiste à Globo. Mas bem mais grave é você ter a Globo, os jornais e as rádios. Porque os veículos se somam. Isso se chama propriedade cruzada e catapulta o posicionamento político”, critica Três.

O texto da Ação Civil Pública cita um exemplo bem conhecido dos gaúchos: a manipulação de pesquisas eleitorais. O documento traz até uma referência ao ocorrido no pleito gaúcho de 2002, no qual concorriam Tarso Genro (PT) e Germano Rigotto (PMDB) – e vencido por este último. A divulgação de pesquisas com percentuais muito diferentes daqueles verificados nas urnas, que indicavam ampla margem do peemedebista, gerou o cancelamento de 25 mil assinaturas de Zero Hora. A campanha obrigou a RBS a pedir desculpas publicamente através de um editorial publicado em Zero Hora. “No episódio eleitoral, uma das instituições [que executam pesquisas encomendadas pela RBS], embora tenha registrado corretamente o vencedor do pleito no Rio Grande do Sul, errou gravemente na diferença percentual entre os votos dos dois candidatos”, admitiu na época em editorial na Zero Hora, o presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky.

No caso catarinense, o beneficiado é colega de partido de Rigotto e, assim como ele, saiu vencedor do pleito. “Na ultima eleição ao governo do Estado de Santa Catarina, o Grupo RBS encetou uma ação de sinergia em prol de Luiz Henrique da Silveira”, lê-se na peça jurídica, que a seguir, descreve a seqüência de eventos. No primeiro turno, os jornais da RBS juravam que Luiz Henrique estava eleito, sem a necessidade do segundo confronto – “fato desmentido nas urnas”, aponta o procurador. No segundo turno, as pesquisas veiculadas pela RBS indicavam uma vantagem de 20% do candidato sobre seu oponente, Espiridião Amim (PP). A diferença na apuração foi de 5,42%. “Doutrinada à exaustão a vitória de uma candidatura, a tendência do eleitorado, especialmente o indeciso, é aderir à vencedora”, denuncia a peça jurídica. “Quando se diz que é a RBS quem governa o Estado, que ela faz e tira o governo, é nesse sentido. Aí o governador que se opõe a um grupo como esse, é derrubado”, complementa Três.

No Rio Grande do Sul, Canoas é a bola da vez

Na mesma semana em que comemorou seus 30 anos em Santa Catarina, a RBS lançou o semanário Mais Canoas, que vai circular às sextas-feiras encartado em Zero Hora e no Diário Gaúcho. A tiragem prevista é de 25 mil exemplares mas dependendo da competência do departamento comercial, deve aumentar. Canoas é o segundo maior PIB do Rio Grande do Sul. A cidade tem um diário editado pelo Grupo Sinos, que já atua na região há 50 anos.

A julgar pelas práticas relatadas em Santa Catarina, é bom os executivos do Grupo Sinos começarem a se preocupar. No estado vizinho, a RBS praticou dumping, que é a taxação de preço abaixo do valor de mercado. No caso, a venda de exemplares do jornal Hora de Santa Catarina – de caráter popular – “por reles R$ 0,25” de acordo com a Procuradoria da República – para concorrer com o Notícias do Dia, do grupo Record. “À concorrência, resta quebrar ou vender-se a RBS”, alerta o texto jurídico.

E no litoral catarinense, para “combater” o Diarinho – jornal de Itajaí com 30 anos de existência, que utiliza uma linguagem sarcástica e tem leitores fiéis – a RBS pressionou uma rede de supermercados para não expor os exemplares nos caixas. “A empresa também faz negociações com os anunciantes, de reduzir o valor pago caso não anunciem em outros diários”, complementa Três.

Em 2008, o grupo incorporou a Rádio Metrô FM, a preferida dos pagodeiros de Porto Alegre. Depois de substituir os programas e comunicadores tradicionais pelos da casa – nesse caso, a rádio Cidade, principal concorrente da Metrô – a RBS simplesmente extinguiu o veículo. Agora, o espaço 93,7 do dial FM é ocupado pela Gaúcha, exatamente a mesma programação de AM. “O que não entendemos é como a concessão de radiodifusão, que é pública pode ser simplesmente adquirida por uma opu outra empresa”, questiona coordenadora regional do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação, Claudia Cardoso.

E além dos quatro jornais que já mantém no estado, a RBS agora está de olho em três novos diários tradicionais do Interior. A empresa nega o interesse, mas no início do ano chegou a visitar as redações de O Nacional, de Passo Fundo, Agora, de Rio Grande e o Informativo de Lajeado.

Por uma mídia mais democrática

Cinco artigos da Constituição Brasileira tratam sobre a proibição da formação de oligopólio ou monopólio na comunicação. Apesar disso, o setor, ao lado das indústrias de chocolate, bebidas e pasta de dente, lidera o ranking de concentração do mercado brasileiro. “O lobby das empresas de mídia é muito forte e por isso, mesmo depois de 20 anos de sua publicação, esses artigos não foram regulamentados”, lamenta Claudia Cardoso.

Depois de anos articulando com governos, os movimentos sociais conseguiram marcar a data da primeira Conferência Nacional da Comunicação. Vai ser em dezembro. “Vivemos num país que tem mais televisões do que geladeira. É preciso reestruturar a comunicação, e capacitar o público para a crítica”, defende.

A idéia é combater o discurso uníssono, contra o qual não há voz suficientemente forte que tenha eco. Como a criminalização dos movimentos sociais pautada pela imprensa conservadora do Brasil. A reportagem de ADverso constatou que as charges dos jornais Zero Hora e Diário Catarinense do dia xx de abril eram idênticas em seu conteúdo, ainda que as assinaturas fossem de dois cartunistas diferentes. Coincidentemente, os desenhos ironizavam o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, um dos grupos que freqüentemente acusam a mídia de patrulhamento ideológico. “Em Santa Catarina chegamos a ter a mesma manchete em mais de um jornal. Idêntico! A ótica do Ministério Público é a proteção do direito à informação do cidadão. Isso é inerente à pluralidade – não existe diante de um órgão oligopolista”, avalia Celso Três.

Quem é a RBS (dados constantes do processo)

Faturamento em 2006: R$ 825 milhões

Lucro líquido em 2006: R$ 93 milhões

18 emissoras TV aberta (afiliadas da Globo)

2 emissoras de TV comunitária

1 emissora de agronegócio

25 emissoras de rádio

8 jornais diários

4 portais na internet

Editora RBS Publicações

Gráfica

Gravadora Orbeat Music

Empresa de Logística ViaLog

Empresa de marketing para público jovem Kzuka

Participação em empresa de móbile marketing

Fundação de Responsabilidade Social
(*Publicado no Adverso, reproduzido com autorização da autora)

 

The Joshua Tree

June 27, 2009

Uma das provas cabais de que "algo além" existe é o arrepio que me dá quando ouço "I still haven’t found what I’m looking for" (do U2, óbvio).

Eu não era assim.

Nova gíria (ou Falar com a juventude é sempre muito instrutivo)

June 11, 2009

Juro que tava aqui com a página do blogsome aberta sem nada para escrever e, de repente, pula na minha tela esta pérola proferida por meu irmão de 18 anos. Ok, pessoal, todos nós já fomos assim. (Talvez não com 18, mas com 15, 16, sim.)

(21:00:50) Irmão da Ana Lúcia: pede pra marilia compra uma panelinha igual a dela pra eu?
(21:00:53) Irmão da Ana Lúcia: ai tu paga pra ela
(21:00:56) Irmão da Ana Lúcia: e da de presente pra mim
(21:00:57) Irmão da Ana Lúcia: UIAHaiu
(21:03:18) Ana Lúcia: pra quê, seu gordo
(21:03:19) Ana Lúcia: ?
(21:03:28) Irmão da Ana Lúcia: pq eh pro aquela panelinha XD
(21:03:38) Ana Lúcia: han?
(21:03:46) Ana Lúcia: tu nao cozinha
(21:03:56) Irmão da Ana Lúcia: cozinho sim
(21:03:57) Irmão da Ana Lúcia: \o\
(21:07:56) Ana Lúcia: o que tu cozinha?
(21:08:08) Irmão da Ana Lúcia: negrinho
(21:08:09) Irmão da Ana Lúcia: massa
(21:08:11) Irmão da Ana Lúcia: massa
(21:08:12) Irmão da Ana Lúcia: negrinho
(21:08:14) Irmão da Ana Lúcia: arroz
(21:08:18) Irmão da Ana Lúcia: ovo frito
(21:08:22) Irmão da Ana Lúcia: batata frita
(21:08:23) Irmão da Ana Lúcia: =d
(21:10:51) Ana Lúcia: hahahaha
(21:10:55) Ana Lúcia: ali não cabe
(21:11:15) Irmão da Ana Lúcia: ta mas
(21:11:15) Irmão da Ana Lúcia: afe
(21:11:17) Irmão da Ana Lúcia: me da uma logo
(21:13:48) Ana Lúcia: não cabe, seu gordo consumista. ali cabe metade do que tu come.
(21:14:02) Ana Lúcia: ai, agora me deu uma vontade de comer negrinho. obrigada, gordo! :P
(21:14:18) Irmão da Ana Lúcia: ta mas
(21:14:21) Irmão da Ana Lúcia: a panela eh pro
(21:14:23) Irmão da Ana Lúcia: me daaaaaaaaaaaaaaaaaa
(21:15:28) Ana Lúcia: eh pro quê?
(21:15:36) Irmão da Ana Lúcia: professional
(21:17:38) Ana Lúcia: PROFISSIONAL
(21:17:43) Ana Lúcia: isso é uma nova gíria?
(21:17:53) Irmão da Ana Lúcia: ¬¬
(21:17:57) Irmão da Ana Lúcia: é

Bastidores de uma reportagem em construção ou O povo não é bobo

May 3, 2009

Terrorismo poético. Esse é na João Pessoa, mas está por toda a cidade.

Hoje a Paula e eu estivemos no Acampamento Jair Antonio da Costa (do MST), em Nova Santa Rita - RS (que fica no território de um assentamento do MST).

Na volta, pegamos uma carona temerária. O cara era um alemão [o que, segundo as definições do Aiculana, significa gíria para pessoa loira de olhos azuis, com pele avermelhada e, não raro, de origem alemã, com sodaque] e estava (levemente) bêbado. Mas enfim, meu objetivo aqui não é me prosear por ter corrido risco de morte (TÁ, BEM MENAS, BEM MENAS) na volta de uma saída de reportagem. O ponto que eu queria destacar é que o alemão-  um senhor de uns 50 e poucos - disse assim, ó:
- Pra mim, o governo devia pegar essas pessoas [do MST] e cadastrar todas elas, aí dava um lote de terra para cada um e não ia existir mais sem terra.

E mais: o cara tinha consciência de que terras produtivas não podem ser desapropriadas ("meu cunhado [ou algum parente ou amigo, a proto-repórter aqui tem péssima memória] fica com medo que os sem terra apareçam na fazenda dele. Eu digo pra ele ‘tu tá produzindo, eles não vão vir aqui’, mas não adianta").

Embora de início tenha se mostrado influenciado pelas reporcagens (para usar a expressão desse tio) que generalizam dizendo que os integrantes do movimento só querem terra para depois vender e tirar um $$, após a minha explicação ele se mostrou razoável. Não reagiu conforme o manual da direita burra, cuja característica mais marcante é não ouvir os argumentos que não lhe convem. Simplismos à parte, o cara daria um banho em muito reporco (sem perdão pelo trocadilho).

Livro de Galeano em segundo lugar em vendas na Amazon (!)

April 21, 2009

 

No meio de um turbilhão de más notícias…

Livro que Chávez deu a Obama chega a 2º lugar em vendas na Amazon

Washington, 20 abr (EFE).- O livro "As Veias Abertas da América Latina", com o qual o presidente venezuelano, Hugo Chávez presenteou seu colega americano, Barack Obama, durante a 5ª Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, passou hoje ao segundo lugar de vendas no site www.amazon.com..

Escrita em 1971, a obra do escritor uruguaio Eduardo Galeano denuncia o que ele classifica um saque das riquezas da região durante meio século pelas potências da época.

Escrito há 40 anos, em meio à proliferação das ditaduras militares de direita no continente, foi um dos que mais influenciou a esquerda latino-americana.

Paradoxalmente, ele perde é precedida por "Liberty and Tyranny: a Conservative Manifesto" (Liberdade e Tirania: um Manifesto Conservador), do escritor americano Mark R. Levin. EFE

Tomara que ele leia. E que as pessoas que estão comprando também. E que eu também (shame on you, Ms. Ana Lúcia!). Aqui (matéria da Associated Press) diz que a Casa Branca alertou que não sabe se o homi vai ler o livro ou não. Diz também que o Chávez disse que o Obama é um homem inteligente, COMPARADO COM  O PRESIDENTE ANTERIOR (o que, convenhamos, é beeeem diferente de dizer simplesmente que o Obama é um homem inteligente).

Além disso, há uma descrição do livro de Galeano super preguiçosa:

When a reporter asked Obama what he thought of the book, the president replied: "I thought it was one of Chávez’s books. I was going to give him one of mine." White House advisers said they didn’t know if Obama would read it or not.

Mesmo não tendo lido o livro, posso dizer que a descrição do mesmo é, no mínimo, irresponsável (jornalisticamente falando). Óbvio que é compreensível que a maior e mais antiga agência de notícias do mundo não se preocupe em omitir informações subversivas (devido a "interésses", blábláblá…). Só estou fazendo essa observação a título de alerta (como o alerta que a Casa Branca fez, informando que não sabe se o presidente dos States lerá o livro do escritor-jornalista-subversivo-fofo latino-americano).

(A matéria dá outras informações que o meu ingreis tabajara não me permite entender. Could you help me, please?)

Flanando - Luiz Manoel com Santana

April 14, 2009

“Eu hoje dou a tudo de ombros, pouco me importam paz ou guerra e não leio jornais”, Alberto de Oliveira.

April 8, 2009
A reminescência vaga da frase e do contexto da descoberta (uma aula de Literatura do Ensino Médio) fez com que agora, aos 23, quisesse saber a frase exata e seu autor (lembrava apenas que se tratava de um poeta parnasiano). Ingenuamente lançou no Google a original combinação de palavras "Não leio jornais". Surgiu uma enxurrada. De interessantes, uma coluna do Digestivo Cultural de amanhã (??) e um post de um blog de uma jornalista. Tinha também a frase do presidente, é claro. Entretanto, nenhum deles compartilha do sentimento do poeta parnasiano, do meu sentimento.

Na verdade essa história de fim dos jornais já está mais do que batida, todo mundo já ouviu falar que o veículo da vez é a internet e não vou entrar nessa polêmica (aliás, tenho entrado somente nas polêmicas estritamente necessárias ultimamente, já que a maioria delas me parecem inúteis). 

Então, por que não leio jornais? Primeiro devo informá-los de que não só praticamente não tenho lido jornais como tenho acompanhado pouquíssimo a mídia em geral (incluo aí a internet). Por quê? Ora, é muito simples: tenho mais o que fazer. Essa história de ficar procurando informações perecíveis por aí é coisa de desocupado. Por que eu quereria ser a primeira a saber qualquer coisa? Não basta saber, tem que ser primeiro? Ademais, não seria mais racional tentar descobrir alguma coisa sobre o mundo in loco (por mais insignificante ante o turbilhão de informações, seria, ao menos, uma informação mais qualificada)?

Ah, como acirrou os ânimos juvenis da moçoila tal frase! "Mas que alienado!", dissera Ana Lúcia, do alto de seus 15 anos, utilizando terminologia marxista inconscientemente (que bonitinha!). Agora, do alto da sapiência de seus 23 anos, ela afirma categoricamente que alienado é quem lê jornais. Saber "dar de ombros" não a tudo, mas a maioria das coisas nunca foi tão importante para viver - e não apenas sobreviver - neste mundo. Quem nunca ouviu outrem reclamar que não tem tempo de cozinhar, de caminhar, de tomar sol? Vivente, sai da internet e vai viver!

(Claro que se informar é importante enquanto o objeto deste ato for usado como insturumento de transformação social. E tenho dito.)

“Ella não pode continuar”, mas a luta maior é contra o capitalismo!

March 31, 2009

Os estudantes do Colégio Parobé captaram o espírito da luta: ela é contra o capitalismo, do contrário, outras Yedas, FHCs, Lullas, Rigottos, Collares, Collors virão.

De Ato 3003

Jornalista, não se mate!

February 16, 2009

Os indiferentes

Antonio Gramsci

Odeio os indiferentes.

Acredito que viver

significa tomar partido.

Indiferença é apatia,

parasitismo, covardia.

Não é vida.

Por isso, abomino os indiferentes.

Desprezo os indiferentes,

também, porque me provocam

tédio as suas lamúrias

de eternos inocentes.

Vivo, sou militante.

Por isso, detesto

quem não toma partido.

Odeio os indiferentes 

 

Passei cerca de três anos pensando que jornalista não é gente. Claro que eu não sabia que pensava isso até conseguir racionalizar, isto é, até perceber que achar que jornalista não deve se organizar politicamente é o mesmo que pensar que jornalista não é gente, que é um extra-terrestre, deus ou algo do tipo. Só agora entendo que o jornalista não se articula junto aos seus (colegas de profissão, sindicato, demais trabalhadores e lutadores sociais) acopla mais facilmente as opiniões do patrão e, além disso, incorre mais facilmente em generalizações quando escreve uma matéria sobre política pelo simples fato de não saber sequer o que é se organizar politicamente quanto mais como funciona um partido político ou um movimento social. Descofie de tudo e todos que se dizem imparciais - inclusive do código de ética jornalístico. Ninguém - nem qualquer jornalista - possui um salvo-conduto para ser indiferente. Um código de ética não pode incitar uma categoria a renunciar à vida: é como se a Constituição fizesse apologia ao suicídio.

Cuidado!

December 11, 2008


 
Andava atormentada por uma séria dúvida: será a indiferença uma falha ética? Agora está tudo resolvido para mim, já tenho a minha resposta – eu disse a minha resposta, é bom frisar, para que não pensem que sou uma ditadora do pensar.

Ética é um daqueles vocábulos muito empregados e pouco pensados – os jornalistas que o digam! -; conceituaremos, pois. Utilizo aqui a definição que Leonardo Boff expõe no livro “Saber cuidar” (aliás, único livro sobre ética que a humilde escriba leu até hoje). A definição de Boff é muito simples e, por isso, bela. Ética, para ele, nada mais é que o cuidado no sentido mais amplo da palavra. Este cuidado se estende, então, do ser humano até qualquer coisa que possa ter a mais remota ligação com o ele. É o cuidado com a vida. Mas não somente o cuidado com o corpo, mas também com a alma. Não somente consigo, mas com o outro. Não somente com a casa, mas com a natureza. Em suma, cuidar da vida como um todo, trata-se do extremo oposto ao “foda-se” de nosso tempo.

Num primeiro olhar, a palavra cuidado pode remeter a uma situação excepcional ("tome cuidado!", "eeei, cuidado!") ou mesmo à área da saúde. A mim, por exemplo, traz à mente a imagem de um médico recusando-se a atender um paciente gravemente enfermo. A ética não tem “poréns”: a meu ver, o “porém” de que ele estava recebendo R$1,00 por consulta, o “porém” de que ele estava trabalhando em condições precárias não servem. Todavia, assim como um médico comete uma falha ética ao não atender a um paciente, um jornalista faz o mesmo ao não defender os interesses da classe da qual faz parte. O mito da imparcialidade faz com que se crie a ilusão de que todos são iguais, só que patrão e empregado não são iguais, mulher e homem não são iguais, brancos e negros não são iguais! O que quero dizer com isso é que o poder (econômico, político, simbólico) de que dispõem são assimétricos! Por que eles haveriam de ser tratados equanimemente por um jornalista que finge ser um Deus (acima do bem e do mal), quando, na realidade, é apenas mais um funcionário mal-remunerado? Só não vale argumentar que profissional e pessoa são “entidades” distintas!*

É certo que não ignoro que a imprensa está subordinada a interesses econômicos, como qualquer empresa privada, e que, no contexto atual, falar de qualquer espécie de ética soa como piada, uma vez que o simples fato de a indústria cultural incentivar o consumo de supérfluos ou de compostos feitos em laboratório disfarçados de alimentos (porcarias cheias de aromatizantes, corantes, acidulantes, gordura hidrogenada, açúcares, ou, em bom português: sem valor nutricional algum, ou seja, que não são alimentos)** já deixa a situação dessas empresas bastante problemática (estou falando em relação a valores éticos, não monetários). E nem vou entrar aqui nas tão faladas relações promíscuas com os anunciantes!           

Ética, gente, nada mais é do que saber ser humano, em tudo o que há de bom nisso. É bom lembrar que, se cometemos os atos mais horrendos, somos também capazes das coisas mais belas! Talvez se aprendermos - e ensinarmos a quem pudermos - a cuidar sempre, não só na curva, na descida íngreme, ou com o quebra-molas.

 

* Vale indicar a leitura do texto <"http://www.pontodevista.jor.br/blog/?p=261">Showrnalismo, o ensino da Covardia, de autoria de W.U.

** Não sei se já contei aqui uma historinha bem ilustrativa da minha infância. Tive a sorte de ter uma mãe que conseguiu me manter livre das “porcarias” até uma fase bem avançada da minha infância (depois ela desistiu, lutar contra a indústria cultural não é mole!). Antes de ela me largar de mão, um dia, após argumentar que bolachinhas recheadas, ou algo do gênero, faziam mal à saúde teve que ouvir a seguinte pérola: “Se faz mal, por que é que fabricam?”. Demorei a descobrir que a ética não está entre as prioridades das multinacionais (muito pelo contrário!).