Feira da Ana Lúcia

October 29, 2007

Breve meme literário

Filed under: Playground - aiculana @ 1:07 am

- Mete a mão no livro mais próximo. (o mais PRÓXIMO. Não procures.)
- Abre na página 161;
- Procura a 5ª frase, completa;
- Posta essa frase em teu blog;
- Não escolhas a melhor frase nem o melhor livro;
- Repassa para outros 5 blogs.

Bueno, eu estava, estou, do ladinho do meu novissississíssimo "On the road", que "filei" (não, não afanei não, meu pai me deu de presente, "de livre e espancada vontade") hoje na Feira do Livro aqui de Porto Alegre. E, atenção, a frase é tchã-ram: "Havia até uma garota chinesa." Graaande frase. A exemplo da pessoa que me repassou, repasso a todo e qualquer ser que - por ventura, ou não - venha a ler este post, ou seja, ninguém. Bom, não dá nada, ali em cima não diz que vou ter azar pro resto da vida se ninguém que possa levar a brincadeira a diante venha, n’algum dia, a passar por aqui. Sim, também acho que estou meio dramática hoje. Aliás, com quem estou falando mesmo?

October 22, 2007

“Eu quero uma casa no campo…”

Filed under: Indústria cultural - aiculana @ 2:52 am

“O texto puro é, na verdade, a maneira mais cômoda, rápida e menos comprometedora de se desincumbir da tarefa de relatar o que se passa. E, também, a mais reducionista. A mais infiel ao ser humano que é o jornalista e ao ser humano que é a personagem das histórias mediadas. Foge-se da produção simbólica da realidade e adere-se à sua produção burocrática.”

Encontrei esta preciosidade num livro da professora Ana Taís Martins Portanova Barros chamado "Jornalismo, Magia, Cotidiano". O livro é a dissertação de mestrado dela (ou a compilação da dissertação, não ficou claro pra mim) e é a coisa mais fofa que achei nesta semana que passou (não consigo achar definição mais adequada).

Resuminho-sem-graça: Pesquisa sobre o semanário "Panorama", de Taquara (cidade do interior do Rio Grande do Sul). Parece uma coisa trivial, mas o que torna o livro bom é o olhar com um viés antropológico que a autora lança sobre os acontecimentos, pessoas, fatos corriqueiros  da cidade bem como o domínio de texto da pesquisadora/jornalista/antropóloga. Ana Taís faz uma crítica ao jornal ao mesmo tempo que aponta soluções, de modo algum é um criticar por criticar.

Outra coisa boa do livro: ele mostra que a beleza da vida no cotidiana continua lá para quem quiser registrá-la - e quase ninguém quer, Ana Taís é uma exceção - e, o melhor, as pessoas anseiam sim por um texto jornalístico que não seja uma pretensa cópia da realidade (lide).

De repente estou passando a considerar a hipótese de voltar para o interior após a formatura (ou seja, em 2010). Melhor: não voltar pro interior, mas ir morar no interiorzão - Santa Cruz é (quer ser) cidade grande: tem tudo de ruim que cidade grande tem e quase nada de bom que uma cidade grande tem, incluindo um "grande" jornal. Se alguém souber de uma cidadezinha que não tenha um jornal local, me avise. Sou capaz até de desistir de me formar, já que agora pra ser jornalista não é obrigatório ter diploma (jura, né). Mas que às vezes dá vontade, dá.

P.S.: Estou virando uma daquelas pessoas irritantes que se lembram de uma música para cada palavra que possa ocorrer a qualquer ser na face da Terra ou é impressão minha? 

P.S.:(2) Era pra ser um post curto, juro que tentei. 

October 17, 2007

“Quanta gente, quanta alegria…”

Filed under: Indústria cultural - aiculana @ 3:54 pm

Nem tão práticos, nem tão funcionais, nem recantos de elegância. Não, não estou falando dos shoppings populares, mas sim dos shopping centers "comuns", aqueles outrora freqüentados só por gente chique, ou gente que quer ser chique, bem. Estes, que pareciam ser os últimos redutos de segurança nas grandes cidades, estão sendo invadidos pela chamada “rafuagem”. E pelos assaltos também. Não que haja correlação entre as duas coisas. Acredito que estes sejam fenômenos demasiado recentes para merecerem um estudo sociológico sério (excetuando-se os de uma certa “sociologia instantânea”).

A “sociologia Nissin Miojo" de que falei tem uma metodologia própria que inclui, por vezes, a realização de entrevistas com fontes nem sempre confiáveis. A entrevistada no “estudo” que relatarei a seguir era uma arquiteta vinda dos confins de uma grande universidade de São Paulo. (Este estudo foi ao ar no dia 15 de outubro, no Jornal da Cultura, TVE, 22h). Pois bem, essa cidadã foi responsável pelo ponto alto da “pesquisa”. Este se deu quando o “sociólogo” relatou que já havia visto pessoas mais humildes sendo “gentilmente convidadas” a se retirar de um shopping center, o que considerava uma situação constrangedora. O sociólogo não falava necessariamente de ladrões, estelionatários, assassinos, mendigos, mas apenas de pessoas que estavam mais “mal-vestidas” que a fauna* local (a menos que a palavra "humilde" seja um eufemismo para pedinte). A entrevistada “respondeu” como se o moço tivesse se referido a pessoas que estivessem pedindo esmola. A doutora disse que shopping não é lugar de pedir esmolas, que para isso há igrejas, sinaleiras, e que, se os seguranças vêem “alguma coisa”, têm obrigação de “tentar evitar que ocorra o pior”. A fonte, na verdade, era uma cidadã de classe média incomodada que tentava, sem sucesso, esconder-se atrás da acadêmica.

Depois, a cidadã de classe média falava da existência de shoppings também para as classes C e D (!!). E que ela, num estudo, havia descoberto algo “muito interessante”: há um shopping em Campinas (SP) que tem áreas diferentes, cada uma com lojas de acordo para cada classe social. Ou seja, os cidadãos de classes diferentes podem sim conviver em harmonia (não recordo se foram exatamente essas palavras que a “tia” usou). Sim, minha gente, é só os mendigos não invadirem a área dos cidadãos de (Mercedez) Benz. Isso não é lindo? Tu, que acreditava que a redução da desigualdade social no Brasil era imperiosa, não mudou teus paradigmas? Olha o que tu vai responder! Se tu disser que não, vou ser obrigada a te chamar de conservador-direitista-positivista-reacionário! Pra quê distribuição de renda, tchê? Nóis é pobre mais é filiz. I agora nóis tamem podi i no xopim center, comê uns bixo estranho com um tar de gergelim e inda fazê um crediário nas Casas Bahia.

* Expressão usada pelo “tio” Joel Silveira na primorosa hãã reportagem? crônica? “1943: Eram assim os grã-finos em São Paulo”, que está no seu livro “Tempo de Contar”. Com o tempo - sem perceber, obviamente - me adonarei desta expressão bem como de outras. (Todo mundo sabe que nesse mundo "nada se cria, tudo se copia", mas, como essa expressão é MUITO do tio Joel, senti necessidade de dar o crédito. De qualquer forma, fica como dica de leitura emoticon)

October 9, 2007

Cadê o debate na universidade pública? (Ou vamos libertar o “debate” das garrras das aspas assassinas)

Filed under: Incategorizável - aiculana @ 2:29 am

            Acabo de voltar de um “debate” ocorrido no auditório da Faculdade de Economia da UFRGS. O “debate” fazia parte da programação da semana acadêmica do curso. Ao final, o mediador convidou os bravos sobreviventes a assistirem aos outros debates que ocorrerão durante a semana (os quais só o tempo dirá se merecerão aspas ou não).

            Na verdade, só naquele momento se chamou o que havia acontecido ali de debate. Até então fora somente palestra. Era justo, afinal, nada mais que duas palestras que estavam acontecendo nessa noite. Primeiro, o diretor do Banrisul, depois uma economista e bancária. Assunto? A capitalização do banco. É desnecessário dizer quem defendia o quê.

            O assunto prometia. Os convidados prometiam. Mas não houve debate. Chega de fazer suspense: o diretor deu uma palestra de cerca de uma hora e meia (depois da qual a platéia, que já era minguada, reduziu-se à metade, ou até mais) e, em seguida, a bancária falou. Em nenhum momento os dois estiveram juntos na mesa: quando o diretor falou, a bancária estava na platéia; quando a bancária falou, o diretor retirou-se do recinto (devia ter mais o que fazer, suponho).

            Nem vou entrar no mérito do assunto tratado, posso falar quase nada sobre a capitalização do Banrisul sem dizer bobagem: não entendi lhufas do que o diretor disse - um pouco devido à minha sonolência ( pudera: era a segunda palestra que assistia no dia); um tanto devido à minha ignorância no assunto; e outro tanto por ele ter falado o idioma economiquês (o que não condeno, já que era a semana acadêmica da Economia, eu era, portanto, a intrusa ali, tinha mais é que me ferrar). A bancária falou de maneira perfeitamente inteligível, mas não é meu objetivo falar sobre a capitalização do Banrisul aqui, embora reconheça que seja um assunto de suma importância. O tema dessa crônica é a falta de debate (dessa vez sem aspas) na Universidade (Federal do Rio Grande do Sul).

            O “debate” de hoje tem aspas só pelo fato de os dois não terem dividido a mesma mesa, de não ter havido qualquer tipo de comunicação entre os “debatedores”. Nem sempre é assim, porém. A maioria dos “debates” que presenciei (e já assisti a muitos “debates” na UFRGS) já nasciam com aspas. Nos cartazes anunciando essas cerimônias estavam estampados os nomes dos convidados, só quem não queria não via que não haveria debate porra nenhuma! A não ser que alguém aqui acredite em Papai Noel, Chapeuzinho Vermelho e debate entre dois correligionários.

            Sei, muitos desses debates são promovidos pelo DCE. E eles têm uma justificativa para o fato de somente esquerdistas serem convidados: a mídia corporativa já dá espaço o bastante para que os defensores do status quo se manifestem.Eu vejo isso de maneira diferente: o pastor precisa ter o monopólio da palavra para que consiga realizar sua pregação. Em outras palavras, é muito fácil convencer sem ter alguém para fazer o contraponto.

            Certo professor da Fabico, o mestre (doutor, aliás) Canali diz – ou costumava dizer quando freqüentei suas aulas - que a universidade pública é o único lugar aberto ao debate. Estava no segundo semestre quando o ouvi falar isso pela primeira vez. Agora estou no quinto e ainda não vi debate na universidade. Nem na sala de aula, nem fora dela. Tenho esperança de vir a assistir a algum. Espero que o debate sem aspas não chegue tarde demais.    

           

October 4, 2007

Uma frase

Filed under: Incategorizável - aiculana @ 5:53 pm

"A política é o processo pelo qual as bases irracionais da sociedade são postas a descoberto." Harold Lasswell

October 1, 2007

Não fui eu

Filed under: Incategorizável - aiculana @ 8:12 pm

Alguém saberia me dizer por que cargas d’água tá tudo "riscado" na coluna à direita?

Ah, e outra coisa, por que os links não ficam em ordem alfabética, sendo que eu selecionei essa opção?

Alguém me ajuda, por favor! hehehe 

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