Descompasso

November 29, 2007

72% dos professores da rede municipal de Porto Alegre têm pós-graduação (Mestrado, na maioria dos casos). Os professores ganham incentivos ($$) no plano de carreira se fazem pós. Muito bonito, mas faltam postos de saúde na periferia (e a grande maioria das escolas municipais está localizada na periferia). E ter saúde é condição necessária para que o aluno aprenda, não? Mais fundamental que professor pós-graduado, não? Só eu que vejo algo errado aí? Na verdade não há nada errado: esse é Brasil, o país dos extremos.

E nem vou entrar no assunto das redes wireless implementadas - ou em processo de implementação - em escolas da periferia.

Aqui jaz “Adubos Trevo”

November 19, 2007

Quando meu irmão estava se alfabetizando, nas viagens para a praia eu costumava indagá-lo durante o trajeto inteiro:

- O que que tá escrito ali, Rique?

Era tão irritante que, mesmo anos e anos depois, ao passarmos pela "Adubos Trevo", entre Canoas e Porto Alegre, meu irmão brincava:

- Ana, que que tá escrito ali?

Por algum motivo, o letreiro da "Adubos Trevo" marcou. É, meus amiguinhos, mas a piada terminou. Se eu não contar a meu irmão essa tragédia, da próxima vez que ele olhar para o letreiro e tiver um ímpeto de fazer a pergunta, tomará um baita dum susto. Por quê? É que, ao invés das palavras que marcaram a nossa infância, ele verá no letreiro um nome de mulher um tanto "bagaceiro": "Yara". Pois é, a Yara comprou a Adubos Trevo. Yara é uma multinacional, diz no site da mesma, que encontrei graças a Mestre Google. Não sei as implicações da incorporação da Adubos Trevo pela Yara. Tal fato não faz a menor diferença na minha vida (não sou eu quem está dizendo, segundo a sabedoria popular "o que os olhos não vêem o coração não sente"), exceto por uma piada recorrente ter perdido o significado. Nunca mais olharei pr’aquele letreiro do mesmo jeito.  Vagabunda, ladra de piadas, seqüestradora de lembranças, maldita multinacional!

P.S.: Em tempo: descobri isso hoje quando voltava de Santa Cruz.

As férias estão chegando… (ao menos na Fabico)

November 15, 2007

Jake, Xuxa e Lindo-mar!

À frente, Jake; ao fundo, Xuxa. E bem ao fundo, ele: o lindo-mar!

Em breve juntar-me-ei aos três. Mal posso esperar.

Chuta que é jornalista!

November 8, 2007

Jornalistas são a escória da sociedade, bem que a colega tinha razão. Liguei prum “lugar” com o intuito de agendar uma entrevista com uma fonte em potencial. Antes de poder falar com quem queria, me fizeram “a” pergunta:

- Qual é o assunto, pra eu poder te encaminhar?

Não sei por que, sempre acho que intermediadores querem saber “o assunto” já farejando alguma fofoca. O que mais posso pensar se o fato de eu falar quem eu sou  e o que quero só parece dificultar as coisas? Seria bem mais fácil se eu dissesse que era a encanadora para quem a fulana tinha ligado pela manhã. Bem mais simples. E a ética jornalística que se exploda.

Continuando, aí lá vai a Ana Lúcia repetir a resposta de sempre:

 - Meu nome é Ana Lúcia, sou estudante de jornalismo e estou fazendo uma matéria sobre vida de professor… blablablablablabla (No tom de voz de quem sabe que vai ter de repetir essas sentenças pelo menos uma vez mais na mesma ligação).

 Ouvi a moça falando para a fonte em potencial que era “uma jornalista que estava fazendo uma pesquisa”. Depois são os jornalistas que distorcem os fatos, mas tudo bem. Por fim consegui falar com “a fonte” e “a fonte” RIU da minha pauta. Riu. Zombou. Fez pouco caso. Isso é só pra vocês irem imaginando o tom de voz que ela usou para dizer, depois de um “rara”:

- Vida de professor, essa é boa!

Vê se eu posso! Jornalista é escória. Azar, pelo menos “acho” que vou conseguir a entrevista. Ok, é mais prudente dizer que minha fonte querida não expressou intenção de fugir de mim*.

* Expressar intenção de fugir de um jornalista = dizer que “liga mais tarde”.