Feira da Ana Lúcia

January 29, 2008

Uma imagem vale mil palavras

Filed under: Indústria cultural - aiculana @ 6:58 am

 

Anticotas protestam na UFRGS. 

Foto: zerohora.com 

Para mim, o texto abaixo (publicado no Correio do Povo "esses tempos", ô precisão) encerraria de uma vez por todas a discussão sobre cotas. Ao que tudo indica, só para mim (ok, com sorte para alguns de vocês também). ;)

O PARADOXO DAS COTAS
Juremir Machado da Silva

Jamais alguém duvidou da originalidade brasileira. Não me canso de repetir isso. É o meu lado original. Os gaúchos são brasileiros (embora com algumas ressalvas e um pouco menos de flexibilidade na cintura). Logo, os gaúchos são originais. Porto Alegre, por exemplo, tem o mais belo pôr-do-sol do mundo. Falta apenas convencer o mundo dessa originalidade. Ou ser mais preciso: Porto Alegre tem o mais belo pôr-do-sol do mundo sobre o Guaíba. Prefiro esta última formulação. É muito mais original. Agora, num assunto muito sério, as cotas nas universidades, também estamos querendo ser originais. Ou malandros. Como qualquer um sabe, o sistema de cotas reserva vagas em universidades públicas para indivíduos de grupos sociais historicamente prejudicados.

Optou-se por reservar vagas por critérios étnicos e para estudantes oriundos de escolas públicas. Depois do vestibular da Ufrgs, porém, muitos estudantes resolveram entrar na Justiça por terem ficado de fora mesmo alcançando índices de rendimento mais altos do que aqueles obtidos por cotistas selecionados. Parece até piada de português. Esse é o princípio mesmo das cotas. Com índices superiores aos dos concorrentes, ninguém precisaria de reserva de vagas. Elementar. Trocando em miúdos, os defensores do mérito acima de tudo estão, mais uma vez, tentando melar o sistema de cotas. Mas ele é necessário. Basta dar um passeio nas universidades gaúchas para ver que nelas praticamente não há negros.

A questão das cotas para estudantes oriundos de escolas públicas poderia ser vista até como mais injusta. A escola pública é deficiente porque os governos não lhes dão as condições de serem muito boas. Então se deve garantir ao seu egresso a possibilidade de chegar à universidade mesmo sendo pior. É uma forma de absolver os governos da incompetência e do desinteresse pela educação básica. Em vez de se elevar o nível das escolas públicas, diminui-se o nível de exigência na entrada para o ensino superior. Claro que as cotas étnicas também expressam a incompetência dos governos em resolver problemas sociais históricos. Mas, ao mesmo tempo, elas permitem enfrentar o racismo dissimulado da cultura brasileira e começar a pagar uma dívida secular e vergonhosa. Não há outro jeito. Sem cotas, os negros continuarão excluídos.
 
Há uma forma muito simples de se eliminar a necessidade de cotas: garantia de vagas em universidades para todos os estudantes que forem aprovados num exame de saída do ensino médio. Na França é assim. Pode-se fazer isso com ensino público e gratuito para todo mundo ou com um sistema misto como o nosso, concedendo-se bolsas em instituições privadas para o excedente das públicas. A limitação de vagas, a serem disputadas em vestibular, não é o sistema do mérito, mas o sistema da hipocrisia. A sociedade brasileira, em lugar de criar condições para que todos os seus jovens cursem uma universidade, algo que custa caro, manda que eles se engalfinhem e decidam na base de uma competição falsamente meritória. Quem perde é o país. A sociedade lava as mãos bem sujas.

Somos originais. Queremos sempre o caminho mais longo. Ele nos parece tão curto. É mais interessante do que pagar a conta da educação completa de todos os nossos jovens. Não há mérito algum em vencer um candidato que nunca teve condições de preparar-se para a competição.


January 25, 2008

Do site da ZH

Filed under: Incategorizável - aiculana @ 6:08 pm

Justiça | 25/01/2008 | 15h14min

Justiça concede liminar a estudante reprovado no vestibular da UFRGS
Aluno ficou na posição de número 106 de 120 vagas, mas não foi aprovado em função do sistema de cotas

Um estudante que prestou o vestibular para Engenharia Mecânica teve a matrícula provisoriamente assegurada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mesmo tendo sido reprovado no concurso. O aluno ficou na posição de número 106 de 120 vagas, mas não foi aprovado em função do sistema de cotas.

A liminar foi deferida pela juíza Daniela Pertile da 7º Vara Federal de Porto Alegre. A alegação é de que a exclusão fere o princípio constitucional de igualdade de direitos.

 

RÁDIO GAÚCHA
 
 
Pergunta: e o simples fato de um estudante poder frequentar uma escola com um ensino decente e outro não, não fere o "princípio constitucinal de igualdade de direitos"? É, eu realmente não manjo nada de direito… 

January 23, 2008

RBS e a castidade

Filed under: Indústria cultural - aiculana @ 5:22 pm

Depois de Bush (lembram?), agora é a vez da RBS investir numa pesada campanha contra o sexo antes do casamento:

Comigo é assim: se o cara avançar o sinal, eu pulo fora

Isso tem que ter fim

January 21, 2008

Para ajudar as profes na luta contra a indústria cultural

Filed under: Indústria cultural - aiculana @ 6:04 pm

Pobres professoras! Além dos alunos mal-educados e de pais idem, da remuneração idecente, têm que lutar contra a indústria cultural. Luta perdida, dizem as más linguas, pois, se as novelas, os seriados estadunidenses, os blockbusters e as notícias dadas pela mídia corporativa atestam que a vida consiste numa eterna disputa entre bem e mal, como vivalma conseguirá provar o contrário?

O consolo é que as profes não estão sozinhas no ringue. De vez em quando aparece um Luis Fernando Verissimo para escrever uma crônica, dar uma entrevista para a Caros Amigos… (Não se deixem enganar pela manchete que, diga-se de passagem, é um primor de originalidade, a entrevista, apesar de ter sido respondida por e-mail, não é das piores.)

Deixem o homem não falar, pô!Ah, segue "o" gancho dado por Luis Fernando Verissimo nos donos das opiniões absolutas:

Renato Pompeu: Você é muitas vezes apontado como esquerdista. O que acha de Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador? Como você qualificaria o estado atual da esquerda no Brasil em geral e o governo de Lula em particular?

No Brasil temos o mau hábito de exigir opiniões absolutas sobre tudo. Talvez porque as opiniões relativas pareçam vir de cima do muro. Mas você pode achar certas coisas em Cuba admiráveis, como a idependência que conseguem manter ali embaixo do focinho dos Estados Unidos e o que, apesar de tudo, conquistaram em matéria de saúde pública e educação, e achar outras lamentáveis, como a falta de pluralidade política e a presidência vitalícia do Fidel. Entende-se que a direita brasileira seja obcecada por Cuba e, agora, pelo Chávez, mas não é preciso imitar sua radicalidade, a favor ou contra. A mesma coisa vale para os Estados Unidos, que são admiráveis e execráveis, dependendo do que você está falando. O governo Lula, a mesma coisa, só que nesse caso a gente tende a ser mais a favor do que contra para não engrossar o coro dos reacionários, que já é suficientemente grosso. Esse tal de novo populismo na América do Sul é importante menos pelo que é do que pela sua origem, o fracasso de políticas neoliberais recentes em cima de todos os anos de descaso social das elites do continente, que agora têm que enfrentar os Chávez e os Morales e outros monstros que criou. O novo populismo, ou como quer que se chame isso, também tem seu lado animador e seu lado discutível, além do seu lado precário. Já a esquerda brasileira continua como sempre, dividida.

January 16, 2008

Cotas = PAC anti-classe média

Filed under: Incategorizável - aiculana @ 3:37 am

Obs.:1) Sim, sou a favor das cotas sociais/raciais.
Obs.:2) Sim, sou uma cidadã de classe média-média – sem orgulho.
Obs.:(a-última-eu-prometo) Peço desculpas antecipadamente pela repetição exaustiva da expressão “classe m
édia” durante o texto.

Comentava eu com uma amiga que achava que a reserva de vagas para estudantes advindos de escolas públicas, negros e indígenas – que, na UFRGS, inicia no vestibular deste ano de 2008 - daria uma sacudida no pensamento limitado da classe média. Minha amiga disse, então, concordar com um amigo seu que havia colocado que, embora o ingresso de pessoas de diferentes classes sociais deva causar algum impacto, no final permanecerá a hegemonia do pensamento da classe média. Pode ser. Entretanto, devo dizer que no momento estou otimista. E particularmente feliz por estar frequentando a universidade neste momento em que ocorre a inclusão – ainda que simbólica – de parcelas da população excluídas historicamente. Independentemente de ser contra ou a favor – não quero aqui voltar à velha, e agora também inútil, discussão -, você há de convir que estamos prestes, sim, a presenciar (ou a “telespectar”) um momento histórico.

Breve incursão às adjacências do umbigo - Nunca mencionei aqui, mas no ano passado inteiro trabalhei como monitora no Núcleo de Ensino e Produção em TV, o nosso querido estúdio de TV fabicano. Posso inflar o peito e afirmar, com orgulho, que fui a telespectadora do ano dos curta-metragens fabicanos. Portanto, posso dizer que eles são – com raras e louváveis exceções – muito classe média!!! Só se vê celular startak – aquele “de abrir”. Duvido que a maioria dos fabicanos tenha esse tipo de celular. Mas a maioria – consciente ou inconscientemente – envergonha-se de portar um celular “comum”. É a estética classe média: não sou rico, mas se eu usar o último modelo de celular isso há de acelelar o meu passamento à classe acima. E chegar ao topo da pirâmide social, como vocês sabem, é o desejo de toda a classe média (de novo: consciente ou inconscientemente).

Cotas são amigas, companheiros classemedianos - Ao invés de pensar que os cotistas estão a roubar as vagas reservadas para quem podia fazer um cursinho pré-vestibular, a classe média tem mais é que se conscientizar de que eles, cotistas, estão lhe prestando um grande favor. Um não, pelo menos três. (1) Delivery de realidade social de graça*. Quem sabe assim se formem jornalistas que criem discussões mais emocionantes do que sobre se os taxistas podem ou não deixar de ligar o ar condicionado (discussão verídica, ouvida na Gaúcha)? (2) Isso deve provocar a reedição do conceito de debate. Quem sabe assim surjam novas – e interessantes – discussões e, de quebra, aprofundem-se as velhas e pertinentes que nunca dantes haviam saído da superfície? (3) Como se pode constatar nos itens anteriores, a vida de classe média é muito chata. Quem sabe com a sacudida ocasionada pelo delivery de realidade social a classe referida não há de parar de reclamar da vida e de criar discussões inúteis e, principalmente, de criar bandas emo?

Agora quero ver quem vai ter coragem de dizer que o Lula não gosta da classe média. Aprecia tanto que quer ajudar os pobrezinhos a sararem - afinal, nem todos têm culpa, né?.

* Há a chance de que, por não precisarem desembolsar um só tostão para ter a companhia de pessoas cujo point nos finais de semana de verão não seja a freeway, os cidadãos e cidadãs sigam a tendência que reina soberana há séculos nesse país: não dar valor ao que não é pago. Mas aí já é assunto para outro post… ou melhor, outro tratado.

January 10, 2008

Os petistas e a privada

Filed under: Indústria cultural - aiculana @ 1:58 pm

Na p. 10 da Zero Hora de hoje, abaixo de uma matéria sobre as prévias do PT para a prefeitura de Porto Alegre (Maria do Rosário X Miguel Rossetto) há uma esqueminha normalmente usado para tendências da moda (pontos fortes, pontos fracos). Lê-se nos pontos fracos da deputada Maria do Rosário:

"Carrega o estigma de ter participado da invasão do plenário da Assembléia em 1997 para tentar evitar a privatização da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT)."

Ao deparar-se com pontos fracos e pontos fortes de candidatos de uma eleição prévia (ou seja, na qual somente os filiados ao PT terão direito a voto), você infere que tal classificação se fez, na medida do possível, de acordo com a visão dos filiados, afinal, é somente esta que interessa, não é? Isso significa que até mesmo os petistas (aqueles que eram, não muito tempo atrás, famigerados por defenderem posições ultra-radicais e até absurdas, como, respectivamente, o não-uso de barbeadores e a ascensão do estado do bem-estar social) hoje estão a-man-do o resultado do arremesso do patrimônio público na privada, afinal, tudo que é público é ruim mesmo, tem mais é que ir para bem longe dos nossos narizes!

Então se, por acaso, você é filiado ao PT (ou conhece alguém filiado) que não soltou foguetes com privatização da CRT, não me diga. Seriam ilusões desfeitas demais para um só dia. Até porque essa coisa de criticar a iniciativa privada anda meio demodé, não acha?

January 9, 2008

Um post nada cansativo para entreter as massas

Filed under: Eu - aiculana @ 2:53 am

"Por que eu vou ficar em pé, se sentada é melhor?
E por que eu vou ficar sentada, se deitada é melhor?"

Tia Margarida, professora de Geografia e História e bon vivant 

Eu estava sentada no sofá. Só estava me levantando para ir ao banheiro, mas tio Anderson - marido da tia Margarida, e, por tabela, seguidor de sua filosofia de vida - parecia ter uma recomendação importante a fazer:

- Ana! (pausa dramática) Não te cansa!

Interrompi o movimento. Pensei. Aí sim, finalmente, levantei-me.

= Fato verídico ocorrido em dezembro passado. Está aqui como uma pequena contextualização dos "pensamentos" (?) que seguem. (Sim, é uma muleta para um post capenga.)   

Sinto que deveria postar algo aqui. O problema é que sinto também que só vou conseguir terminar os textos que iniciei assim que tiver bastantes coisas (importantes) a fazer. Tudo bem, afinal, estamos de férias (eu pelo menos estou)! E o lema das férias deveria ser "não se canse". Ocorre que a gente acaba sempre se cansando (nem que seja de não fazer nada, como eu), é a sina de todos os membros da sociedade ocidental. A gente até consegue desligar, mas fica sempre em standby. E mesmo os iluminados -  que logram arrancar de algum modo o plug da tomada - só o conseguem depois de muito tempo, quando os "dias de labuta" já estão bem próximos.

Eu já disse aqui que algum dia ainda largo essa minha vida de estudante/dona-de-casa pseudoindependente para viver no campo, tirando leite da vaca (com trajes mais adequados do que na foto abaixo - sem precisar dar um nó na saia -, porém), cultivando a terra e tirando dela meu próprio sustento. Entretanto, enquanto esse dia não chega, eu permaneço ensaiando (ou fazendo pose, vocês que sabem). Tudo isso sem me cansar muito, naturalmente.


É só pose. Mas, o que não é? (Que nada! Até que saiu um leitinho…) 

 

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