Os petistas e a privada
Na p. 10 da Zero Hora de hoje, abaixo de uma matéria sobre as prévias do PT para a prefeitura de Porto Alegre (Maria do Rosário X Miguel Rossetto) há uma esqueminha normalmente usado para tendências da moda (pontos fortes, pontos fracos). Lê-se nos pontos fracos da deputada Maria do Rosário:
"Carrega o estigma de ter participado da invasão do plenário da Assembléia em 1997 para tentar evitar a privatização da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT)."
Ao deparar-se com pontos fracos e pontos fortes de candidatos de uma eleição prévia (ou seja, na qual somente os filiados ao PT terão direito a voto), você infere que tal classificação se fez, na medida do possível, de acordo com a visão dos filiados, afinal, é somente esta que interessa, não é? Isso significa que até mesmo os petistas (aqueles que eram, não muito tempo atrás, famigerados por defenderem posições ultra-radicais e até absurdas, como, respectivamente, o não-uso de barbeadores e a ascensão do estado do bem-estar social) hoje estão a-man-do o resultado do arremesso do patrimônio público na privada, afinal, tudo que é público é ruim mesmo, tem mais é que ir para bem longe dos nossos narizes!
Então se, por acaso, você é filiado ao PT (ou conhece alguém filiado) que não soltou foguetes com privatização da CRT, não me diga. Seriam ilusões desfeitas demais para um só dia. Até porque essa coisa de criticar a iniciativa privada anda meio demodé, não acha?
