Feira da Ana Lúcia

January 21, 2008

Para ajudar as profes na luta contra a indústria cultural

Filed under: Indústria cultural - aiculana @ 6:04 pm

Pobres professoras! Além dos alunos mal-educados e de pais idem, da remuneração idecente, têm que lutar contra a indústria cultural. Luta perdida, dizem as más linguas, pois, se as novelas, os seriados estadunidenses, os blockbusters e as notícias dadas pela mídia corporativa atestam que a vida consiste numa eterna disputa entre bem e mal, como vivalma conseguirá provar o contrário?

O consolo é que as profes não estão sozinhas no ringue. De vez em quando aparece um Luis Fernando Verissimo para escrever uma crônica, dar uma entrevista para a Caros Amigos… (Não se deixem enganar pela manchete que, diga-se de passagem, é um primor de originalidade, a entrevista, apesar de ter sido respondida por e-mail, não é das piores.)

Deixem o homem não falar, pô!Ah, segue "o" gancho dado por Luis Fernando Verissimo nos donos das opiniões absolutas:

Renato Pompeu: Você é muitas vezes apontado como esquerdista. O que acha de Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador? Como você qualificaria o estado atual da esquerda no Brasil em geral e o governo de Lula em particular?

No Brasil temos o mau hábito de exigir opiniões absolutas sobre tudo. Talvez porque as opiniões relativas pareçam vir de cima do muro. Mas você pode achar certas coisas em Cuba admiráveis, como a idependência que conseguem manter ali embaixo do focinho dos Estados Unidos e o que, apesar de tudo, conquistaram em matéria de saúde pública e educação, e achar outras lamentáveis, como a falta de pluralidade política e a presidência vitalícia do Fidel. Entende-se que a direita brasileira seja obcecada por Cuba e, agora, pelo Chávez, mas não é preciso imitar sua radicalidade, a favor ou contra. A mesma coisa vale para os Estados Unidos, que são admiráveis e execráveis, dependendo do que você está falando. O governo Lula, a mesma coisa, só que nesse caso a gente tende a ser mais a favor do que contra para não engrossar o coro dos reacionários, que já é suficientemente grosso. Esse tal de novo populismo na América do Sul é importante menos pelo que é do que pela sua origem, o fracasso de políticas neoliberais recentes em cima de todos os anos de descaso social das elites do continente, que agora têm que enfrentar os Chávez e os Morales e outros monstros que criou. O novo populismo, ou como quer que se chame isso, também tem seu lado animador e seu lado discutível, além do seu lado precário. Já a esquerda brasileira continua como sempre, dividida.

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