Na saída do colégio

February 27, 2008

Fragmentos de conversas ouvidos por mim quando fui buscar meu irmão no colégio, em Santa Cruz do Sul (minha cidade):

- Eu quero fazer jornalismo ou publicidade. Eu queria passar na UFRGS, ou ESPM.

- (…) bah, três períodos de Português! Imagina: passar três horas olhando pra cara da Marta! [Não é minha mãe, juro!]

— 

Amanhã meu irmão faz 17 anos. Isso significa que há quase cinco anos eu completava a mesma idade, pois ele é cinco anos mais novo que eu. Apesar disso, não faz muito eu era uma adolescente. Ainda duvido que seja adulta. O fato é que ao menos a preocupação com o que os outros irão pensar da minha roupa, do meu cabelo, das minhas opiniões, do meu sapato, do conjunto, hoje não representa nem um vigésimo do que era há uns três, vá lá, quatro anos. Até parece mentira que "desfilar" nos corredores do colégio era uma tortura: não importa se os olhares de cima a baixo eram fruto da minha imaginação aborrescente ou se de fato existiram, virtuais ou reais, não sei, só sei que eram inquisidores; qualquer falha mínima (ratiada, como se dizia na minha época) era motivo para a auto-condenação eterna. Não importa se todos já tivessem esquecido: cada vez que eu rememorava o ocorrido, minha idiotice aumentava em progressão geométrica. Eram coisas tão banais que eu nem recordo sequer uma para exemplificar.

Se a relação do aborrescente consigo mesmo já é tenebrosa, que dirá com seus amigos, colegas e família. Ao lembrar o colégio, a primeira coisa que vem à mente são as fofocas. Quem não conheceu nesse período a dor e a delícia de ter uma amiga "leva-e-traz"? A parte divertida nisso é que eu conseguia fingir que não ligava para o que os outros diziam sobre mim e, em última instância, era isso que contava. Ah, e havia também a satisfação da curiosidade: saber o que o outro grupinho comentava compensava o martírio. Não importa: eu conseguia fazer de conta que não concordava de maneira alguma com o que elas diziam - apesar de estar ultra-insegura. Azar: vivíamos num mundo de aparências. Muitas vezes a patricinha-chefe era oriunda da família mais desprovida de recursos financeiros. E, não preciso nem dizer, se achava a bolachinha mais recheada do pacote.

Acabou. O frio na barriga ao passar por entre adolescentes se transformou numa sensação boa. O único anseio é por furtar conversas (como as que citei acima). E sempre é como se tivesse alguma ligação com esses jovens da qual, porém, somente eu tenho conhecimento. E tal vínculo secreto é razão do meu sorriso latente como se disesse que "vocês não sabem, mas, na verdade, vocês são eu algum tempo atrás. Mesmo que o vestibular da UFRGS pareça uma incógnita que decidirá sua vida para todo o sempre e que a aula da Marta seja um porre, vocês hão de agüentar o tranco e recordarão essa época com tanto carinho quanto eu (apesar de ser um porre muito maior do que três períodos seguidos de Português)".

“Maconha não tem problema”, diz guarda de escola

February 25, 2008

<lide reportagem fictícia>Ao ser questionado acerca do problema do uso de drogas por alunos de escola da Capital, o vigia C.* afirmou que "maconha não tem problema". Antes disso, C. relatou que "antigamente os alunos fumavam maconha atrás do ginásio". </lide reportagem fictícia>

Depois da "entrevista" (verídica),  minha colega de reportagem e eu ficamos rindo e imaginando uma reportagem ultra-sensacionalista com o título acima. Sim, os jornalistas estariam fritos não fossem as risadas proporcionadas por esses frasistas!

P.S.: Post sugerido por um amigo que, ao ouvir a história, exclamou: "É pra isso que jornalistas têm blog!".

P.S.(2): Faz algum tempo que meu amigo sugeriu o post e mais tempo ainda que a "entrevista" se sucedeu. Deixei para quando estivesse com pregüiça de escrever.

P.S.(3): Tchau, Fidel! (Não que eu ache isso bom. Nem ruim. Sei lá, veremos.) 

Nada faz sentido às 4h da madrugada

February 13, 2008

Nem às 4h da madrugada, nem após ler qualquer teórico da pós-modernidade. O pouco que li de Lipovetsky (tinha escrito com "i" em vez de "y") não está exatamente fresco na minha mente na maior parte do tempo, exceto às 4h da manhã. Aí é o caos. E o caos é daqueles caras legais que ficam chatos depois de um tempo.

Por Ana Lúcia, a que pretende se livrar do caos.

(Como? Adaptando-se ao fuso horário das pessoas normais.)  

Um registro e uma lição

February 11, 2008

Após ignorar as festas de fim de ano, acabo de ignorar o carnaval! Viva! (Pelo menos por aqui fingi bem.)

A verdade é que é bem mais fácil fugir desses "acontecimentos inevitáveis" do que das outras "pautas da vez". Até porque locar milhares de filmes durante o carnaval já virou ritual (mais ou menos como deve ser comprar fantasia e encher a cara para quem gosta da coisa). Bem, tudo o que eu quero dizer, pra variar, se resume com apenas uma frase: a mídia é irritante em todos os momentos do ano. Melhor: ela é até menos irritante no Natal, no Ano-Novo e no carnaval. (Ou alguém ainda não está de saco cheio de ouvir falar em "crise dos cartões", febre amarela, superterça??). Tá, chega de senso comum por hoje, crianças.

No mais, gostaria de relatar uma experiência enriquecedora que tive esses dias: li jornais de cerca de 10 dias diferentes num só dia (não, não fiquei lendo jornais o dia inteiro, tá, eu sei que vocês entenderam). Tinha me proposto a ler os jornais do mês de dezembro (finalmente!), já que naquele mês realizei uma espécie de retiro (Outra excelente experiência, por sinal. Recomendo.). Desisti no meio da tarefa, ainda assim o esforço não foi vão: ficaram algumas lições. Aí vai a número um (não, não há previsão de continuação). E não adianta reclamar que quem manda aqui sou eu! (Sim, reassumi o controle, porque, se dependesse da audiência, esse post seria sobre chicórea.)

Lição número um: Jornalismo virou twitter in the paper

Ex: 

Jornal do dia x: Hoje Fulano de Tal anunciará o pacote de medidas blábláblá…" [aí tu, que é uma criatura inteligente, interrompe a leitura e pega o jornal de "amanhã".]   

Jornal de "amanhã": Fulano de Tal adiou o anúncio do pacote de medidas que…

Jornal de "depois de amanhã": Hoje, finalmente, fulano de tal deve anunciar… 

Jornal de "depois de depois de amanhã": Hoje finalmente fulano de tal anunciou… [enfim, o lide, a "notícia", o comunicado, enfim, sei lá como se chama isso em tempos de jornalismo factual, anti-apuração, pró-traseiro-na-cadeira, enfim.]

É o cúmulo do jornalismo twitter. Aliás, não dá pra chamar isso de jornalismo. É, no máximo, um twitter impresso. E um twitter que sacrifica arvorezinhas para dizer que vai ao banheiro. Pelo menos quem usa o twitter de verdade não derruba árvores para COMUNICAR QUE vai ao banheiro.

P.S.: Promessa para o ano que inicia (como todas, fadada a não ser cumprida): tentar me irritar menos com certas coisas. 

Utilidade pública

February 6, 2008
http://pt.wikipedia.org/wiki/Radicchio

Saiba mais sobre outras verdurinhas aqui.

Procurando por "radite" no Google, meu blog é o segundo a aparecer (o primeiro é o site do nosso amigo Radicci). Uma vez que encontrei o termo "radite" somente em sites do sul, suspeito que somente por aqui se utilize a terminologia não-fresca para designar esse vegetal por nós tão prezado. Daí a bizarice de meu blog aparecer já na primeira página.  

Para quem não entendeu, lo que pasa es que pessoas continuam procurando por "radite" e caindo aqui (e, pelo visto, continuarão por todo o sempre). Assim, como futura showrnalista que sou, resolvi satisfazer os anseios da audiência. (Não se preocupem, isto não se vai se transformar num blog sobre vegetais. Já já voltamos à programação normal.)