Feira da Ana Lúcia

March 16, 2008

Ai, que saudade da Lígia!

Filed under: Incategorizável - aiculana @ 2:46 pm

Ela tinha sobrenome alemão, mas se assemelhava muito mais a uma índia do que a uma rainha da Oktoberfest. Era magra, meio baixinha e mantinha seu cabelo escorrido cortado bem curto, rente à cabeça. O formato de seu nariz fazia com que os “engraçadinhos” chamassem-na, entre eles, de canarinho. Sabe aquelas pessoas que despertam na gente as atitudes mais “felicianas”? Imagina alguém que não só chora ao ler Drummond, como também ao ouvir um aluno declamar um poema de sua própria autoria. Essa é a Lígia. Ou era. Vai saber… Uma turma até já a fez chorar por motivos nada louváveis. Pobre Lígia! Tão doce! Não merecia! 

Como se pode ver, mesmo a Lígia não agradava a todos. A minha Lígia para poucos. Muitos conheciam somente a professora autoritária, cuja existência eu não ignorava, contudo não fazia questão de saber mais detalhes a respeito. 

É incrível como o processo de aprendizagem dependa tanto do vínculo afetivo que o aluno estabelece – ou não – com seu mestre. Há quem diga que essa relação (vínculo afetivo = aprendizado) permaneça somente até o fim da adolescência. (Não sei em que medida devo a Lígia minha predileção por Literatura e Português em detrimento de Física, Química, Matemática e Biologia. Certo é que ela tem o seu quinhão de culpa.) Pois eu acho que não tem como o vínculo afetivo não proporcionar um processo de aprendizagem melhor em vários sentidos, no entanto não é condição sine qua non para que o aluno alcance seu objetivo. Teoricamente um adulto não deixará de se esforçar só por birra, porque o professor é ruim ou hostil.     

Enfim, falávamos de Lígia. A minha Lígia ficou lá nos meus 2º e 3º ano do ensino médio, mas quando estou assim, meio desiludida com a humanidade, dá vontade de vê-la. Porque Lígia é a sensibilidade em pessoa. Quando alguém que acredita em utopias, como eu, a vê, pensa que se ela existe, devem existir outras (os) parecidas (os). Sim, porque não pode existir só gente ruim no mundo. Não pode! Não pode!

Ai, que saudade da Lígia!

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