Que venham os tomates podres!

June 6, 2008

Conseguem ler a palavra

 

Eu sou burra. Quero dizer, minha mãe sempre disse que sou muito inteligente (mas todas as mães dizem o mesmo de seus adorados filhos, então acho que não conta, né?). Pois além dos dois atos falhos que cometi hoje (quebrei uma garrafa térmica e derreti uma barra de chocolate numa panela de aço inoxidável), cometi uma burrada.

Sempre gostei muito de ir a palestras. Palestras com gente de esquerda, vale dizer, gente que teoricamente sabe o que está dizendo. Nunca me manifestava, apenas ouvia, inebriada, os intermináveis discursos. 


Hoje fui a mais uma palestra. Quem falou foi o grande filósofo de orientação marxista, Emir Sader. A conferência-debate foi realizada pelo gabinete da candidata à prefeitura de Porto Alegre, Maria do Rosário (PT) e deu-se na Faculdade de Educação da UFRGS. O tema era "A importância da experiência de Porto Alegre e do Fórum Social Mundial para a esquerda latinoamericana.". Nem preciso dizer que se tratava de uma palestra motivacional para filiados ao PT. Ok, exagero, apesar da insistência em falar de como Porto Alegre é importante por causa do Fórum Social, a palestra foi boa.

Bem, a burrada foi, como vocês já devem ter previsto, a criatura aqui ter-se manifestado. Não fui tão incisiva quanto gostaria de ter sido. Sabia que não conseguiria, afinal de contas, sou uma pessoa tímida (ui). Comecei dizendo que não tinha o dom da retórica e que tinha escrito a pergunta num papel. Riram, eu ri, e li: “Como o senhor acha que os políticos devem lidar com a mídia?”. No improviso, tentei relatar o episódio do aniversário de 50 anos da RBS, quando a ilustre candidata da Frente Popular pronunciou-se favoravelmente (e põe favoravelmente nisso!), ao veículo de comunicação, como se este de fato cumprisse seu papel, informando a população. Nem falei da reportagem especial, mencionada neste blog, que tratava as três candidatas à prefeitura como candidatas a misses. 

O que Emir Sader respondeu? Basicamente que os políticos não podem abdicar do espaço da mídia. Tá, quer dizer então que, se a RBS as trata como nulidades, elas têm que continuar dizendo que eles contribuem para a realização de uma comunicação cidadã e o escambau porque, caso contrário, não terão espaço neste veículo? Tudo bem, respeito a opinião dos que assim pensam, mas não, eles não me convenceram.

Para mim está muito claro que de nada vale elogiar um veículo que me sabota o tempo inteiro. O argumento de que, sem ter espaço no jornal, a candidata não conseguirá atingir seu público é invalidado se pensarmos na qualidade desse alcance. A candidata dá flores e, em troca, recebe pedradas (pedradas que, dizem, têm valor). Realmente, não entendo. Elogiar a RBS é legitimar o péssimo serviço que eles realizam enquanto meios de comunicação (que deviam informar a população com um mínimo de isenção). 

E, se, por outro lado, ela simplesmente se recusasse a dar entrevistas e a se pronunciar a favor da RBS? O que aconteceria? Bom, eles a tratariam como uma criatura anti-democrática (como já gostam de fazer com toda a esquerda), e… o Joãozinho e a Mariazinha pensariam “Ué, aí tem alguma coisa errada. Porque será que a Rosário não quer dar entrevistas para eles?”.

Palavras, palavras… os índios dão muito valor a elas, já nós… “Para quê vou escrever o que tu disse?”. Sabe aquela história de “eu te dou a minha palavra”? Ainda vale para eles. Já nós… é difícil saber quando acreditar em alguém, sobretudo num político. “Peraí, ela está falando para os caras da RBS, deve ser mentira!”, ou “ah, não, ela está falando para os trabalhandores, deve ser verdade!”. 

Mas, continuando com o relato das burrices da Ana Lúcia, a segunda foi ir falar pessoalmente com a candidata. Pedi desculpas pela cara-de-pau, e perguntei sobre “A” reportagem. Ela disse (e, dessa vez, eu acredito), que o "jornalista" a deu um questionário com muitas perguntas e que, dentre elas, a maioria era interessante. “Tá, tudo bem, mas por que tu te prestou a responder o teu peso?” (sim, pessoal, peso, a massa corporal, aquela que a gente vê na balança da farmácia, ou do banheiro). Não, não, ainda não descobri o porquê ela ter respondido uma pergunta tão… tão… imbecil. Seguiu-se a mesma história do início… O Emir Sader intercedeu, enfim… Eu sou burra. Que venham os tomates podres, eu mereço.

(Outro dia posto o conteúdo da palestra. Hoje foram só as picuinhas…)