Que venham os tomates podres!
Eu sou burra. Quero dizer, minha mãe sempre disse que sou muito inteligente (mas todas as mães dizem o mesmo de seus adorados filhos, então acho que não conta, né?). Pois além dos dois atos falhos que cometi hoje (quebrei uma garrafa térmica e derreti uma barra de chocolate numa panela de aço inoxidável), cometi uma burrada.
Sempre gostei muito de ir a palestras. Palestras com gente de esquerda, vale dizer, gente que teoricamente sabe o que está dizendo. Nunca me manifestava, apenas ouvia, inebriada, os intermináveis discursos.
Hoje fui a mais uma palestra. Quem falou foi o grande filósofo de orientação marxista, Emir Sader. A conferência-debate foi realizada pelo gabinete da candidata à prefeitura de Porto Alegre, Maria do Rosário (PT) e deu-se na Faculdade de Educação da UFRGS. O tema era "A importância da experiência de Porto Alegre e do Fórum Social Mundial para a esquerda latinoamericana.". Nem preciso dizer que se tratava de uma palestra motivacional para filiados ao PT. Ok, exagero, apesar da insistência em falar de como Porto Alegre é importante por causa do Fórum Social, a palestra foi boa.
Bem, a burrada foi, como vocês já devem ter previsto, a criatura aqui ter-se manifestado. Não fui tão incisiva quanto gostaria de ter sido. Sabia que não conseguiria, afinal de contas, sou uma pessoa tímida (ui). Comecei dizendo que não tinha o dom da retórica e que tinha escrito a pergunta num papel. Riram, eu ri, e li: “Como o senhor acha que os políticos devem lidar com a mídia?”. No improviso, tentei relatar o episódio do aniversário de 50 anos da RBS, quando a ilustre candidata da Frente Popular pronunciou-se favoravelmente (e põe favoravelmente nisso!), ao veículo de comunicação, como se este de fato cumprisse seu papel, informando a população. Nem falei da reportagem especial, mencionada neste blog, que tratava as três candidatas à prefeitura como candidatas a misses.
O que Emir Sader respondeu? Basicamente que os políticos não podem abdicar do espaço da mídia. Tá, quer dizer então que, se a RBS as trata como nulidades, elas têm que continuar dizendo que eles contribuem para a realização de uma comunicação cidadã e o escambau porque, caso contrário, não terão espaço neste veículo? Tudo bem, respeito a opinião dos que assim pensam, mas não, eles não me convenceram.
Para mim está muito claro que de nada vale elogiar um veículo que me sabota o tempo inteiro. O argumento de que, sem ter espaço no jornal, a candidata não conseguirá atingir seu público é invalidado se pensarmos na qualidade desse alcance. A candidata dá flores e, em troca, recebe pedradas (pedradas que, dizem, têm valor). Realmente, não entendo. Elogiar a RBS é legitimar o péssimo serviço que eles realizam enquanto meios de comunicação (que deviam informar a população com um mínimo de isenção).
E, se, por outro lado, ela simplesmente se recusasse a dar entrevistas e a se pronunciar a favor da RBS? O que aconteceria? Bom, eles a tratariam como uma criatura anti-democrática (como já gostam de fazer com toda a esquerda), e… o Joãozinho e a Mariazinha pensariam “Ué, aí tem alguma coisa errada. Porque será que a Rosário não quer dar entrevistas para eles?”.
Palavras, palavras… os índios dão muito valor a elas, já nós… “Para quê vou escrever o que tu disse?”. Sabe aquela história de “eu te dou a minha palavra”? Ainda vale para eles. Já nós… é difícil saber quando acreditar em alguém, sobretudo num político. “Peraí, ela está falando para os caras da RBS, deve ser mentira!”, ou “ah, não, ela está falando para os trabalhandores, deve ser verdade!”.
Mas, continuando com o relato das burrices da Ana Lúcia, a segunda foi ir falar pessoalmente com a candidata. Pedi desculpas pela cara-de-pau, e perguntei sobre “A” reportagem. Ela disse (e, dessa vez, eu acredito), que o "jornalista" a deu um questionário com muitas perguntas e que, dentre elas, a maioria era interessante. “Tá, tudo bem, mas por que tu te prestou a responder o teu peso?” (sim, pessoal, peso, a massa corporal, aquela que a gente vê na balança da farmácia, ou do banheiro). Não, não, ainda não descobri o porquê ela ter respondido uma pergunta tão… tão… imbecil. Seguiu-se a mesma história do início… O Emir Sader intercedeu, enfim… Eu sou burra. Que venham os tomates podres, eu mereço.
(Outro dia posto o conteúdo da palestra. Hoje foram só as picuinhas…)


Ana, enviamos este texto ao Emir. Favor entrar em contato conosco.
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Emir Sader,
estamos lhe escrevendo, tomando como ponto de partida a leitura de um texto escrito pela Ana Lúcia em seu blog e que foi disponibilizado pelo prof. Wladimir Ungaretti(vide abaixo). Ela compareceu ao evento realizado no dia 5 de junho em Porto Alegre e do qual você foi palestrante. Infelizmente, não pudemos comparecer e, pelo visto, perdemos uma boa oportunidade para debater algumas questões que são de extrema importância para a esquerda, em geral, e, ao PT, em particular.
Certamente, foram abordados diversos assuntos, mas nos restringiremos à intervenção da Ana Lúcia relatada por ela e que diz, especificamente, respeito à relação dos políticos de esquerda com a mídia.
Para você se situar, devemos dizer que somos militantes de esquerda e focamos a nossa atividade na luta pela democratização da comunicação, por entendermos que aí está o nó górdio da disputa pelo poder no mundo contemporâneo. E é exatamente por isso, que a intervenção da Ana Lúcia nos chamou a atenção. Convém também deixar claro que não somos filiados a partido algum.
A sua resposta a ela, afirmando que os políticos precisam da mídia, merece várias considerações. Em primeiro lugar, discordamos veementemente de que os políticos precisem da mídia. O que os políticos da esquerda precisam é DE mídia, mas de uma mídia construída dentro do campo da esquerda e que defenda estes interesses.
Se nos ativermos só ao FSM, que foi o tema da sua palestra, poderemos tirar daí profundas lições do que foi a relação da mídia corporativa local com esse evento. Essa relação sempre se pautou pela extrema hostilidade ao Fórum e às teses que ele defendia. Essa hostilidade se materializava numa constante desqualificação da importância desse evento, a tal ponto que era comum o Fórum ser citado na mídia como uma espécie de reunião de cabeludos e baderneiros, que tomavam banho nus no Parque da Harmonia. O desprezo era tão evidente e rasteiro, que alguns colunistas levantavam questões do tipo “o Fórum não permitia a venda de Coca-cola” e por aí afora. A culminância desse processo se deu em 2003, quando o jornal Zero Hora, no dia em que o Fórum era aberto, deu como manchete de capa “FSM deixa Porto Alegre”. Se isso não é prova da má vontade que a mídia tinha com esse evento, não sabemos como qualificar tal atitude.
Mas a despeito de toda essa sabotagem midiática, lá pelas tantas, não houve como negar que o Fórum tinha importância política e que projetou P. Alegre no cenário internacional. Mas isto nunca foi e não é admitido pela mídia. A “aceitação” do Fórum passou a se dar como um evento que movimentava a hotelaria de P. Alegre na baixa temporada, proporcionava um movimento atípico para taxistas e comerciantes e era um cenário descrito pelos cadernos de variedades como propício para desfilar “modelitos” adequados a um “rolê” nesse mundo “exótico” e “colorido”. Tanto isso é verdade, que o Fogaça, com o apoio dessa mesma mídia, queria manter o Fórum em P. Alegre, porque eles não “entendiam” que era um evento político do campo da esquerda. Isso lhe dá uma idéia do grau de esquizofrenia que a nossa mídia conseguiu alcançar.
No entanto, tais acontecimentos nunca produziram, na esquerda local, um discurso crítico sobre o papel hostil da mídia a todos os empreendimentos do campo popular. Como também podemos citar inúmeros outros fatos tão graves quanto, mas que não tiraram a nossa esquerda da sua letargia, quando a discussão é o uso e o controle da informação.
Por exemplo: por ocasião da campanha eleitoral de 2002, ocorreram várias denúncias de manipulação de pesquisa eleitoral, especificamente, sobre a vantagem de 14%, apontada pelo IBOPE, de Rigotto sobre o Tarso e divulgada em ZH. No dia da eleição, a boca de urna também apontava essa vantagem. Contabilizados os votos, a diferença pró-Rigotto foi de 5%, caracterizando manipulação dos dados. Isso gerou uma tremenda contrariedade, que se materializou no maciço cancelamento de assinaturas de ZH, o que obrigou Nelson Sirotsky a escrever uma carta e um editorial apelando aos ex-assinantes. Segundo dados extra-oficiais, 25 mil assinaturas foram canceladas.
No bojo desses acontecimentos, surgiu um movimento espontâneo, conhecido por Zero Fora, sem ligações partidárias, que começou a questionar o papel da mídia e, particularmente, o da RBS, aqui no sul. Passadas as eleições, o movimento fez duas ações importantes. Uma foi cobrar da reitora da UFRGS, na época a Wrana Panizi, o papel que esta instituição estava tendo num conselho de notáveis que a RBS “montou” para recuperar a credibilidade e dar uma satisfação pública sobre aqueles acontecimentos. A outra ação consistiu numa reunião com o Davi Stival, então presidente estadual do PT, cobrando uma posição do partido em relação à atuação da mídia. Como de costume, ele prometeu isso, prometeu aquilo, que o partido iria tomar uma providência e esses expedientes que você bem conhece. Obviamente, nada foi feito.
Mas a grande ironia dessa história, é que, lá pelas tantas, e isso ficamos sabendo por gente de dentro do partido, que representantes da RBS tinham procurado o PT, para que alguém puxasse o freio de mão do Zero Fora, porque eles acreditavam que o partido tinha alguma ascendência sobre esse movimento. Veja só! Além do PT nunca ter aproveitado esse “cavalo que passou encilhado” para dar início à algum tipo de ação de enfrentamento com a mídia, ainda se viu diante do constrangimento (ou do alívio) de ter que dizer, que este movimento não tinha origem dentro do partido. Vergonhoso!!!
Somos testemunhas (e é por isso que reconhecemos a fundamental importância da pergunta da Ana Lúcia) do trabalho diuturno de desconstrução que a mídia faz contra o campo da esquerda, principalmente do PT, por ser o partido mais forte. Mas esta, temos plena convicção por tudo que já foi demonstrado, não é a percepção da nossa esquerda, que insiste, de maneira recalcitrante, em não querer enfrentar a necessidade da criação de uma política de comunicação ampla para o campo popular. E disso nenhum partido escapa. Se existe alguma coisa comum a todos eles, é essa visão obtusa que têm do papel da mídia.
Talvez isso se explique, como bem apontou Bernard Cassen no FSM de 2003, que a esquerda vive a fantasia de que pode “usar” a mídia hegemônica a seu talante. Não pode haver engano mais catastrófico. E tanto isso é verdade, que, quando a esquerda tenta explicar os reveses sofridos aqui no RS, a mídia nunca entra como um dado relevante nas suas cogitações. Nós vemos discussões absurdas do tipo o Olívio perdeu as prévias, porque cometeu erros administrativos, porque era um cara fechadão - até isso nós ouvimos. E que o Tarso não foi eleito, pelos erros do Olívio, que tendência A não ajudou na campanha da tendência B e outras mega-bobagens. Nós, como eleitores do PT, não temos nenhum reparo a fazer com relação a capacidade política e administrativa dos seus integrantes. O Olívio fez o governo que nós esperávamos que ele fizesse e dentre as suas medidas mais importantes foi acabar com o samba do crioulo doido que era liberar dinheiro público para a instalação da Ford no RS. Isso sem falar na implementação do OP estadual, da recuperação das cadeias produtivas, do apoio à pequena agricultura, etc. Era um governo que tinha projeto, como de resto todas as administrações petistas que chegaram ao poder em P. Alegre.
Agora, por que um governo como esse não se reelegeu, tendo feito tudo dentro do figurino? Para nós, só tem uma resposta: mídia. Aquilo que era para ser o diferencial do Gov. Olívio foi transformado, pela mídia, num cavalo de batalha para desgastar o PT. Até hoje, se usa, aqui no estado, o infame bordão, criado por esta mídia: “o Olívio mandou a Ford embora”. Isso é a mais absoluta mentira pelo simples fato de que a Ford, não tendo conseguido as benesses que queria, resolveu deixar o RS por vontade própria e, favorecida por uma manobra política, feita à socapa por FHC e ACM, que mudou o regime automotivo brasileiro, foi se instalar na BA. Agora, me diga, Emir, onde isso foi noticiado na nossa mídia?
Mas os nossos “perspicazes” petistas continuam achando que isso é um detalhe menor e que não teve a menor influência no comportamento do eleitor. O que você acha que nós ouvimos nas quitandas, nas barbearias, nos supermercados, nos cabeleireiros, nas ante-salas de dentistas e médicos? Que o PT perdeu a eleição porque as suas correntes não compreenderam os ensinamentos de Marx e Gramsci? Ou que a administração Verle tirou a bimestralidade dos funcionários? Ou que o Tarso não soube defender o Gov. Olívio?
Não, caro Emir, imagine você, se o nosso povo, o mais politizado do BR, iria fazer uma análise tão “rasteira” da nossa conjuntura política! Não, o nosso povo está muito além dessas discussões doutrinárias e partidárias comesinhas. Por que queimar neurônios, sendo um povo com tamanho senso de oportunidade como é o nosso, se já tinham sido fornecidas, pela mídia, as “geniais sínteses” das administrações petistas? Pérolas como essas: chega de PT, tem que dar chance para o novo, segue teu coração, manter o que está bom e mudar o que está ruim, novo jeito de governar e blá, blá, blá.
E o mais impressionante disso tudo, é que o PT acredita que, na hora H, o nosso povo saberia e saberá diferenciar entre um projeto político de verdade, mesmo já o tendo experimentado, e conversa de marqueteiro picareta. As eleições de Fogaça e Yeda são a prova cabal de que essa é uma expectativa completamente equivocada. E ainda por cima, o Fogaça se elegeu com o projeto político do PT, um projeto que muitos petistas já começavam a renegar, por influência da mídia, como era o caso do OP.
Numa época de ditadura midiática, onde o que conta é a repetição ad nausea de um bordão pelo mass media, onde a versão se torna mais importante que o fato, a esquerda ainda acha que pode fazer política rodando mimeógrafo e com discurso de palanque. Falar de construção de subjetividade, para a esquerda partidária, é o mesmo que falar grego. São conceitos sobre os quais muitos dos mandatos não têm nem idéia do que se tratam.
A mídia conseguiu, aqui no estado, um feito notável: criar um sentimento anti-petista raivoso, que não tem nenhuma relação com a realidade. Todas as vezes que confrontamos pessoas que manifestam essa ojeriza, buscando racionalmente os motivos para tanto, elas não conseguem explicar o porquê. O máximo que conseguem fazer é se amparar nesses bordões cretinos.
No momento, estamos vivendo as peripécias da CPI do Detran, onde a mídia tem papel fundamental. Ela age em duas frentes: blinda o Gov. Yeda e desqualifica o papel da CPI. Isso é escandalosamente notório. Só para citar um episódio, entre dezenas de outros. Lair Ferst, o principal acusado, ligado ao PSDB, nunca havia dado um entrevista à imprensa, desde que o escândalo estourou em novembro de 2007. Pois bem, na véspera do seu depoimento, a ZH estampou uma entrevista com o dito. E, no dia, Lasier Martins, considerado pelo Diógenes Oliveira um dos “jornalistas” mais venais do BR, faz também com ele uma entrevista e o qualifica como uma pessoa dotada de “inteligência superior”. Não bastasse essa exaltação ao quadrilheiro, ainda teve o desplante de dizer, que o depoimento que Lair daria na CPI tinha “perdido o impacto”. Exatamente assim, sem o menor pudor, sem nem tentar disfarçar a sua aberta simpatia pelo meliante. Como também nunca disfarçou a sua hostilidade à ação da Polícia Federal, por ter “algemado homens de bem”, e à CPI, que considerava despreparada para inquirir os denunciados.
Por outro lado, se nós compararmos o comportamento da mídia nessa CPI com a CPI da Segurança Pública instalada no Gov. Olívio, veremos que esta foi uma construção exclusivamente midiática que nunca produziu uma prova sequer, tanto que foi arquivada pelo Ministério Público Federal por total inconsistência. Eram manchetes, transmissões ao vivo, manhã, tarde e noite, todos os veículos, bombardeando a população com a mais descarada manipulação que já se viu a mídia fazer aqui no RS. Era um festival de factóides, para regozijo do seu Lasier Martins, que, excitado, esfregava as mãos no estúdio, toda a vez que entrava um “boletim” ao vivo.
Então, Emir, não será dessa mídia que iremos precisar! Ela não tem nos servido absolutamente para nada, a não ser para nos desconstruir como força política! E isso está tão gritantemente evidente, que já começa a produzir uma irritação entre os eleitores e militantes . Pela incapacidade do PT reagir, o partido corre um risco muito grande de perder simpatizantes históricos e, seguramente, não conquistará nenhum novo eleitor. Se você tem dúvida disso, entre nos blogues de esquerda do RS e veja o que as pessoas estão comentando.
Aí é que entra a pertinência da pergunta da Ana Lúcia: como deve ser a relação dos políticos com a mídia?
Em primeiro lugar, a esquerda precisa enfiar na cabeça que a mídia hegemônica é de direita e, sendo assim, ideologicamente comprometida, sempre lhe será abertamente hostil. A imparcialidade, a liberdade de imprensa e outras balelas são construções mitológicas para legitimar o modus operandi da mídia, o que deveria ser uma percepção básica para todo o militante de esquerda que se preze. Desta forma, não há possibilidade de nenhum convívio em função das contradições que separam os dois campos. Constatado o óbvio ululante, é preciso começar a levar a sério a necessidade de um amplo debate que estabeleça as bases de uma política de comunicação, onde criar os próprios meios seja uma necessidade tão vital, quanto respirar. A partir daí, o confronto que estabeleça, nitidamente para a população, que existem dois campos em disputa, com interesses muito específicos e antagônicos. Essa realidade hoje se encontra completamente mascarada, porque não existe o contraponto, onde a mídia funciona como se fosse quase um desígnio divino. Vide o episódio Chávez X RCTV.
Não estamos aqui pregando o aniquilamento da mídia de direita. Batemo-nos, obstinadamente, para que a esquerda produza os seus meios, porque nada lhe será dado de mão beijada. Não podemos ficar a espera de crises estruturais para chegar ao poder e, em seguida, perdê-lo, porque não conseguimos provar que o nosso projeto é o melhor. Você entendeu bem, Emir, é provar! Porque não basta fazer. Se nós não dissermos que fazemos, um âncora, um colunista, um radialista, um calhorda qualquer, irá repetir um bordão cretino, até que ele se transforme na mais absoluta e pétrea verdade. Porto Alegre é o exemplo acabado disso que estamos falando. Porto Alegre é uma experiência axiomática para a esquerda de todo o mundo, não tanto pelas suas realizações, que não foram poucas, como por ser um exemplo de como a mídia conseguiu derrotar um projeto político inovador e consistente com as mentiras e manipulações grotescas. Você pode achar que estamos dramatizando, mas como uma nulidade como Fogaça conseguiu chegar ao poder? Nossa população não entendeu absolutamente nada do que aconteceu em Porto Alegre. Pode nos chamar de elitistas, mas nos apresente uma explicação melhor. Esse fenômeno midiático-político ainda está para ser estudado e compreendido na sua total e catastrófica dimensão. Mas, com a esquerda que temos, isso ainda não é para nossa geração.
Comment by Dialógico — June 9, 2008 @ 9:06 pm
PT, também conhecido como Partido dos Tucanos, é esquerda? Quando governaram o estado, penduraram uma bandeira cubana em apoio a ditadura de Fidel. Isso eu aprendi se chama fascismo populista.
Comment by arlei — October 17, 2008 @ 6:36 pm