Jornalista, não se mate!
Os indiferentes
Antonio Gramsci
Odeio os indiferentes.
Acredito que viver
significa tomar partido.
Indiferença é apatia,
parasitismo, covardia.
Não é vida.
Por isso, abomino os indiferentes.
Desprezo os indiferentes,
também, porque me provocam
tédio as suas lamúrias
de eternos inocentes.
Vivo, sou militante.
Por isso, detesto
quem não toma partido.
Odeio os indiferentes
Passei cerca de três anos pensando que jornalista não é gente. Claro que eu não sabia que pensava isso até conseguir racionalizar, isto é, até perceber que achar que jornalista não deve se organizar politicamente é o mesmo que pensar que jornalista não é gente, que é um extra-terrestre, deus ou algo do tipo. Só agora entendo que o jornalista não se articula junto aos seus (colegas de profissão, sindicato, demais trabalhadores e lutadores sociais) acopla mais facilmente as opiniões do patrão e, além disso, incorre mais facilmente em generalizações quando escreve uma matéria sobre política pelo simples fato de não saber sequer o que é se organizar politicamente quanto mais como funciona um partido político ou um movimento social. Descofie de tudo e todos que se dizem imparciais - inclusive do código de ética jornalístico. Ninguém - nem qualquer jornalista - possui um salvo-conduto para ser indiferente. Um código de ética não pode incitar uma categoria a renunciar à vida: é como se a Constituição fizesse apologia ao suicídio.

Exacto!
Comment by Paula — February 25, 2009 @ 1:54 am