Feira da Ana Lúcia

November 7, 2009

Na sexta-feira 13 nov 2009 SAIA DE SAIA

Filed under: Injustiças - aiculana @ 2:21 am

 

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1361871-5605,00-PARA+UNIVERSITARIAS+DE+SP+MINISSAIA+NAO+COMBINA+COM+SALA+DE+AULA.html

E a gente às vezes ainda pensa que o machismo acabou.

Triste é que a causa feminista só ganha visibilidade quando uma mulher sofre uma coisa dessas - um ataque de grandes proporções.

E as piadinhas que a gente tem de ouvir quase todos os dias? E as cobranças do namorado, marido, família em relação ao nosso corpo, cabelo, etc.? E as mulheres que são violentadas por seus maridos? E a tripla jornada de trabalho? E a opressão que nos é impingida desde o berço?

Quando eu ouço falar em saia, de imediato me vêm à mente três amigas do colégio (duas delas são minhas grandes amigas até hoje). Elas eram conhecidas na escola por usarem saias. Sim, também eram consideradas putas por isso. E, se os meninos se passassem -e eles se passavam com certa frequência -, a culpa era delas. Com certeza se isso ocorresse hoje elas não tolerariam… mas, infelizmente, nossa educação é machista.

A seguir, um artigo interessante de Contardo Calligaris publicado na Folha de S. Paulo.

 

<!– /* Font Definitions */ @font-face {font-family:Georgia; panose-1:2 4 5 2 5 4 5 2 3 3; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:roman; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:647 0 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:35.4pt; mso-footer-margin:35.4pt; mso-paper-source:0;} div.Section1 {page:Section1;} –>

A turba da Uniban

 

NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.

O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.

Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.


Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".

Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.

Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.

Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.

 

Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Janis Joseph