Feira da Ana Lúcia

October 16, 2009

Estudar e militar

Filed under: Playground - aiculana @ 9:29 pm

Estudar e militar. Eis uma forma (parecem duas, mas na verdade são uma só) de apreender a realidade.

E eu, que queria ser jornalista para conhecer o mundo (não, nunca quis ser correspondente internacional, só queria entender as engrenagens do sistema) descubro que a melhor, a verdadeira maneira de apreender o mundo, de adquirir experiência de vida é militando! Vivo, sou militante! Estudo, sou militante!

June 27, 2009

The Joshua Tree

Filed under: Playground, Incategorizável - aiculana @ 2:00 am

Uma das provas cabais de que "algo além" existe é o arrepio que me dá quando ouço "I still haven’t found what I’m looking for" (do U2, óbvio).

Eu não era assim.

June 11, 2009

Nova gíria (ou Falar com a juventude é sempre muito instrutivo)

Filed under: Playground - aiculana @ 12:25 am

Juro que tava aqui com a página do blogsome aberta sem nada para escrever e, de repente, pula na minha tela esta pérola proferida por meu irmão de 18 anos. Ok, pessoal, todos nós já fomos assim. (Talvez não com 18, mas com 15, 16, sim.)

(21:00:50) Irmão da Ana Lúcia: pede pra marilia compra uma panelinha igual a dela pra eu?
(21:00:53) Irmão da Ana Lúcia: ai tu paga pra ela
(21:00:56) Irmão da Ana Lúcia: e da de presente pra mim
(21:00:57) Irmão da Ana Lúcia: UIAHaiu
(21:03:18) Ana Lúcia: pra quê, seu gordo
(21:03:19) Ana Lúcia: ?
(21:03:28) Irmão da Ana Lúcia: pq eh pro aquela panelinha XD
(21:03:38) Ana Lúcia: han?
(21:03:46) Ana Lúcia: tu nao cozinha
(21:03:56) Irmão da Ana Lúcia: cozinho sim
(21:03:57) Irmão da Ana Lúcia: \o\
(21:07:56) Ana Lúcia: o que tu cozinha?
(21:08:08) Irmão da Ana Lúcia: negrinho
(21:08:09) Irmão da Ana Lúcia: massa
(21:08:11) Irmão da Ana Lúcia: massa
(21:08:12) Irmão da Ana Lúcia: negrinho
(21:08:14) Irmão da Ana Lúcia: arroz
(21:08:18) Irmão da Ana Lúcia: ovo frito
(21:08:22) Irmão da Ana Lúcia: batata frita
(21:08:23) Irmão da Ana Lúcia: =d
(21:10:51) Ana Lúcia: hahahaha
(21:10:55) Ana Lúcia: ali não cabe
(21:11:15) Irmão da Ana Lúcia: ta mas
(21:11:15) Irmão da Ana Lúcia: afe
(21:11:17) Irmão da Ana Lúcia: me da uma logo
(21:13:48) Ana Lúcia: não cabe, seu gordo consumista. ali cabe metade do que tu come.
(21:14:02) Ana Lúcia: ai, agora me deu uma vontade de comer negrinho. obrigada, gordo! :P
(21:14:18) Irmão da Ana Lúcia: ta mas
(21:14:21) Irmão da Ana Lúcia: a panela eh pro
(21:14:23) Irmão da Ana Lúcia: me daaaaaaaaaaaaaaaaaa
(21:15:28) Ana Lúcia: eh pro quê?
(21:15:36) Irmão da Ana Lúcia: professional
(21:17:38) Ana Lúcia: PROFISSIONAL
(21:17:43) Ana Lúcia: isso é uma nova gíria?
(21:17:53) Irmão da Ana Lúcia: ¬¬
(21:17:57) Irmão da Ana Lúcia: é

April 14, 2009

Flanando - Luiz Manoel com Santana

Filed under: Playground - aiculana @ 1:51 am

February 16, 2009

Jornalista, não se mate!

Filed under: Incategorizável - aiculana @ 3:32 pm

Os indiferentes

Antonio Gramsci

Odeio os indiferentes.

Acredito que viver

significa tomar partido.

Indiferença é apatia,

parasitismo, covardia.

Não é vida.

Por isso, abomino os indiferentes.

Desprezo os indiferentes,

também, porque me provocam

tédio as suas lamúrias

de eternos inocentes.

Vivo, sou militante.

Por isso, detesto

quem não toma partido.

Odeio os indiferentes 

 

Passei cerca de três anos pensando que jornalista não é gente. Claro que eu não sabia que pensava isso até conseguir racionalizar, isto é, até perceber que achar que jornalista não deve se organizar politicamente é o mesmo que pensar que jornalista não é gente, que é um extra-terrestre, deus ou algo do tipo. Só agora entendo que o jornalista não se articula junto aos seus (colegas de profissão, sindicato, demais trabalhadores e lutadores sociais) acopla mais facilmente as opiniões do patrão e, além disso, incorre mais facilmente em generalizações quando escreve uma matéria sobre política pelo simples fato de não saber sequer o que é se organizar politicamente quanto mais como funciona um partido político ou um movimento social. Descofie de tudo e todos que se dizem imparciais - inclusive do código de ética jornalístico. Ninguém - nem qualquer jornalista - possui um salvo-conduto para ser indiferente. Um código de ética não pode incitar uma categoria a renunciar à vida: é como se a Constituição fizesse apologia ao suicídio.

December 11, 2008

E chega o final do ano…

Filed under: Playground - aiculana @ 2:12 am

E um (a) amigo (a) te fala que tem uma idéia genial. E tu ficas curioso(a) para saber que lampejo seria aquele que deixara seu/sua pacato(a) amigo(a) tão entusiasmado. Uma idéia para fazer a revolução? Para implodir o Congresso Nacional? Para mobilizar as pessoas a lutarem para que a exploração da camada pré-sal reverta em benefício do povo brasileiro? Para acabar com o oligopólio dos meios de comunicação?

Não, criança. Trata-se da única idéia possível num final de ano: amigo secreto. E lá vai TU, que sempre foi anti-consumista; TU, que neste ano viraste ecologista; TU, que odeias futilidades; TU, que há tempos paraste de dar presentes em aniversários (e isso vale especialmente para mãe, pai, irmão e parentes em geral); TU, que não estás exatamente bem de grana… TU mesmo tens de adivinhar o que fulaninho gostaria de ganhar (ou o que fulaninha não desgostaria de ganhar).

Desculpem, amigos, não me levem a mal, mas neste momento - quando tenho dois presentes para comprar - eu mataria a pessoa que inventou essa porra de amigo secreto.

November 18, 2008

Contra a inflação de palavras, contra a academia, contra…

Filed under: Incategorizável - aiculana @ 10:18 pm

Subcomandante Marcos

"El Sup" 

Galeano esteve por aqui na semana passada. Aqui, Porto Alegre. Infelizmente, tratava-se de mais um "Encontro Com o Professor". Entretanto, apesar das perguntas idiotas e comentários imbecis do "professor", Galeano fez toda a platéia - inclusive os gaúchos mui machos - querer apertar suas bochechas. Não colaborou em nem um momento sequer para o aumento da chamada inflação de palavras (a qual é pior que a inflação econômica, segundo o escritor). Agora, do "professor" não se pode dizer o mesmo.

Mas dane-se o "professor", falemos do que vale a pena. Para não incorrer no mesmo erro do mesmo, me absterei de fazer comentários acerca dos trechos abaixo (sim, gentes, isso é apenas um nariz de cera). Subcomandante Insurgente Marcos (ELZN) é outro que não ajuda a aumentar a inflação de palavras, ao menos não em "Nem o centro nem a periferia" (Editora Deriva), ou melhor, ao menos não até onde eu li. Seguem os trechos que marquei do capítulo I "Acima, pensar o Branco - A geografia e o calendário da teoria" (clique aqui para ler na íntegra), que saboreio entre uma academicice e outra.

"O problema com a realidade, é que não entende nada de teoria" Dom Durito da Lacandona 

"(…) a teoria é uma moda que tem nas teses (de pós-graduação, meu bem, também na academia há níveis), nas conferências, nas revistas especializadas e nos livros, os substitutos das revistas de moda. Os colóquios suprem o lugar das exibições de moda, e aí os palestrantes fazem o mesmo que as modelos na passarela, isto é, exibem sua anorexia, neste caso, sua magreza intelectual. (…)

Para esse mundo, essa torre e suas pent-houses, não se poderá acessar a realidade até que credite estudos de pós-graduação e um curriculum, prestem atenção, tão gordos quanto a carteira.

(…)

Se o novo paradigma é o mercado e a imagem idílica da modernidade é o shopping center, ou o centro comercial, imaginemos, então, uma sucessão de estantes cheias de idéias, ou melhor ainda, uma loja com teorias para cada ocasião. Não será difícil então imaginar o grande capitalista ou o governante da vez recorrendo ao corredor, pesquisando preços e qualidades dos distintos pensamentos, e adquirindo aqueles que se adaptem melhor a suas necessidades.

Lá em cima, toda teoria que se respeite deve cumprir uma dupla função: por um lado deslocar a responsabilidade de um fato com uma argumentação, que não é por ser elaborada que é menos ridícula; e, pelo outro, ocultar a realidade (quer dizer, garantir a impunidade). (…)"

Participações de Immanuel Wallerstein, Carlos Antonio Aguirre Rojas e do Subcomandante Insurgente Marcos na conferência coletiva do dia 13 de dezembro às 9h da manhã, correspondente ao "Primeiro Colóquio Internacional In Memórian Andrés Aubry

August 5, 2008

Enecom (ou Pra quê publicar?)

Filed under: Eu, Incategorizável - aiculana @ 8:13 pm

Só falei aqui que ia no Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação (que neste ano ocorreu de 20 a 26 de julho em Niterói - RJ) aqui para me exibir não sei para quem (aluguém está lendo isso aqui?). Chegando no encontro até ensaiei uma apuração jornalística, mas logo desisti. Coisa mais masoquista inventar "trabalho" nas férias, ainda que seja um trabalho entre aspas…

Dias depois do evento, pensei em escrever um texto com as minhas impressões para publicar aqui. Da mesma forma que a apuração, apenas iniciei a escrita. Ainda que a finalizasse, seria inútil publicar: certamente o texto seria constituído por mais perguntas  - não raro mal formuladas, o que é ainda mais grave - que respostas. Ademais, como disse certa feita a grande professora Clarice Esperança ao fim de uma aula/oficina de charges: "Vamos publicar…[pausa] Pra quê publicar? Que mania de jornalista, querer publicar tudo!". Que isso sirva de justificativa para a desatualização constante desse blog.

Ah, sim, o Enecom. Só queria dizer uma única coisa: dentre as universidades federais, a UFRGS tem um dos piores cursos de comunicação do País (não estou falando de infra-estrutura, evidentemente, esta certamente está entre as melhores). [Parênteses dentro do parênteses: hoje em aula o professor Ungaretti falou que antigamente, quando a Fabico não tinha laboratórios, a faculdade era muito melhor.] E dos mais desarticulados com a sociedade e com os movimentos sociais. Conversei com inúmeras pessoas cujas universidades tinham parcerias com a comunidade onde estavam inseridas (a maoria delas visando a educação para a mídia). Meu acabrunhamento ia aumentando na medida que essas pessoas mencionavam detalhes desses projetos. "Hã.. lá UFRGS a gente tem uma cadeira no oitavo semestre chamada Jornalismo Comunidade, na qual o pessoal faz um projeto com os guris da Fase, mas eu não sei muito bem…". Eu vivo no cu do mundo mesmo (achei que o tinha deixado ao sair do interior, mas não…)! Só pode. Vou para a Paraíba, tchau.

July 18, 2008

Fui!

Filed under: Playground - aiculana @ 5:22 pm

Fui!

June 6, 2008

Que venham os tomates podres!

Filed under: Incategorizável - aiculana @ 5:59 am

Conseguem ler a palavra

 

Eu sou burra. Quero dizer, minha mãe sempre disse que sou muito inteligente (mas todas as mães dizem o mesmo de seus adorados filhos, então acho que não conta, né?). Pois além dos dois atos falhos que cometi hoje (quebrei uma garrafa térmica e derreti uma barra de chocolate numa panela de aço inoxidável), cometi uma burrada.

Sempre gostei muito de ir a palestras. Palestras com gente de esquerda, vale dizer, gente que teoricamente sabe o que está dizendo. Nunca me manifestava, apenas ouvia, inebriada, os intermináveis discursos. 


Hoje fui a mais uma palestra. Quem falou foi o grande filósofo de orientação marxista, Emir Sader. A conferência-debate foi realizada pelo gabinete da candidata à prefeitura de Porto Alegre, Maria do Rosário (PT) e deu-se na Faculdade de Educação da UFRGS. O tema era "A importância da experiência de Porto Alegre e do Fórum Social Mundial para a esquerda latinoamericana.". Nem preciso dizer que se tratava de uma palestra motivacional para filiados ao PT. Ok, exagero, apesar da insistência em falar de como Porto Alegre é importante por causa do Fórum Social, a palestra foi boa.

Bem, a burrada foi, como vocês já devem ter previsto, a criatura aqui ter-se manifestado. Não fui tão incisiva quanto gostaria de ter sido. Sabia que não conseguiria, afinal de contas, sou uma pessoa tímida (ui). Comecei dizendo que não tinha o dom da retórica e que tinha escrito a pergunta num papel. Riram, eu ri, e li: “Como o senhor acha que os políticos devem lidar com a mídia?”. No improviso, tentei relatar o episódio do aniversário de 50 anos da RBS, quando a ilustre candidata da Frente Popular pronunciou-se favoravelmente (e põe favoravelmente nisso!), ao veículo de comunicação, como se este de fato cumprisse seu papel, informando a população. Nem falei da reportagem especial, mencionada neste blog, que tratava as três candidatas à prefeitura como candidatas a misses. 

O que Emir Sader respondeu? Basicamente que os políticos não podem abdicar do espaço da mídia. Tá, quer dizer então que, se a RBS as trata como nulidades, elas têm que continuar dizendo que eles contribuem para a realização de uma comunicação cidadã e o escambau porque, caso contrário, não terão espaço neste veículo? Tudo bem, respeito a opinião dos que assim pensam, mas não, eles não me convenceram.

Para mim está muito claro que de nada vale elogiar um veículo que me sabota o tempo inteiro. O argumento de que, sem ter espaço no jornal, a candidata não conseguirá atingir seu público é invalidado se pensarmos na qualidade desse alcance. A candidata dá flores e, em troca, recebe pedradas (pedradas que, dizem, têm valor). Realmente, não entendo. Elogiar a RBS é legitimar o péssimo serviço que eles realizam enquanto meios de comunicação (que deviam informar a população com um mínimo de isenção). 

E, se, por outro lado, ela simplesmente se recusasse a dar entrevistas e a se pronunciar a favor da RBS? O que aconteceria? Bom, eles a tratariam como uma criatura anti-democrática (como já gostam de fazer com toda a esquerda), e… o Joãozinho e a Mariazinha pensariam “Ué, aí tem alguma coisa errada. Porque será que a Rosário não quer dar entrevistas para eles?”.

Palavras, palavras… os índios dão muito valor a elas, já nós… “Para quê vou escrever o que tu disse?”. Sabe aquela história de “eu te dou a minha palavra”? Ainda vale para eles. Já nós… é difícil saber quando acreditar em alguém, sobretudo num político. “Peraí, ela está falando para os caras da RBS, deve ser mentira!”, ou “ah, não, ela está falando para os trabalhandores, deve ser verdade!”. 

Mas, continuando com o relato das burrices da Ana Lúcia, a segunda foi ir falar pessoalmente com a candidata. Pedi desculpas pela cara-de-pau, e perguntei sobre “A” reportagem. Ela disse (e, dessa vez, eu acredito), que o "jornalista" a deu um questionário com muitas perguntas e que, dentre elas, a maioria era interessante. “Tá, tudo bem, mas por que tu te prestou a responder o teu peso?” (sim, pessoal, peso, a massa corporal, aquela que a gente vê na balança da farmácia, ou do banheiro). Não, não, ainda não descobri o porquê ela ter respondido uma pergunta tão… tão… imbecil. Seguiu-se a mesma história do início… O Emir Sader intercedeu, enfim… Eu sou burra. Que venham os tomates podres, eu mereço.

(Outro dia posto o conteúdo da palestra. Hoje foram só as picuinhas…)  

 

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