Cuidado!

December 11, 2008


 
Andava atormentada por uma séria dúvida: será a indiferença uma falha ética? Agora está tudo resolvido para mim, já tenho a minha resposta – eu disse a minha resposta, é bom frisar, para que não pensem que sou uma ditadora do pensar.

Ética é um daqueles vocábulos muito empregados e pouco pensados – os jornalistas que o digam! -; conceituaremos, pois. Utilizo aqui a definição que Leonardo Boff expõe no livro “Saber cuidar” (aliás, único livro sobre ética que a humilde escriba leu até hoje). A definição de Boff é muito simples e, por isso, bela. Ética, para ele, nada mais é que o cuidado no sentido mais amplo da palavra. Este cuidado se estende, então, do ser humano até qualquer coisa que possa ter a mais remota ligação com o ele. É o cuidado com a vida. Mas não somente o cuidado com o corpo, mas também com a alma. Não somente consigo, mas com o outro. Não somente com a casa, mas com a natureza. Em suma, cuidar da vida como um todo, trata-se do extremo oposto ao “foda-se” de nosso tempo.

Num primeiro olhar, a palavra cuidado pode remeter a uma situação excepcional ("tome cuidado!", "eeei, cuidado!") ou mesmo à área da saúde. A mim, por exemplo, traz à mente a imagem de um médico recusando-se a atender um paciente gravemente enfermo. A ética não tem “poréns”: a meu ver, o “porém” de que ele estava recebendo R$1,00 por consulta, o “porém” de que ele estava trabalhando em condições precárias não servem. Todavia, assim como um médico comete uma falha ética ao não atender a um paciente, um jornalista faz o mesmo ao não defender os interesses da classe da qual faz parte. O mito da imparcialidade faz com que se crie a ilusão de que todos são iguais, só que patrão e empregado não são iguais, mulher e homem não são iguais, brancos e negros não são iguais! O que quero dizer com isso é que o poder (econômico, político, simbólico) de que dispõem são assimétricos! Por que eles haveriam de ser tratados equanimemente por um jornalista que finge ser um Deus (acima do bem e do mal), quando, na realidade, é apenas mais um funcionário mal-remunerado? Só não vale argumentar que profissional e pessoa são “entidades” distintas!*

É certo que não ignoro que a imprensa está subordinada a interesses econômicos, como qualquer empresa privada, e que, no contexto atual, falar de qualquer espécie de ética soa como piada, uma vez que o simples fato de a indústria cultural incentivar o consumo de supérfluos ou de compostos feitos em laboratório disfarçados de alimentos (porcarias cheias de aromatizantes, corantes, acidulantes, gordura hidrogenada, açúcares, ou, em bom português: sem valor nutricional algum, ou seja, que não são alimentos)** já deixa a situação dessas empresas bastante problemática (estou falando em relação a valores éticos, não monetários). E nem vou entrar aqui nas tão faladas relações promíscuas com os anunciantes!           

Ética, gente, nada mais é do que saber ser humano, em tudo o que há de bom nisso. É bom lembrar que, se cometemos os atos mais horrendos, somos também capazes das coisas mais belas! Talvez se aprendermos - e ensinarmos a quem pudermos - a cuidar sempre, não só na curva, na descida íngreme, ou com o quebra-molas.

 

* Vale indicar a leitura do texto <"http://www.pontodevista.jor.br/blog/?p=261">Showrnalismo, o ensino da Covardia, de autoria de W.U.

** Não sei se já contei aqui uma historinha bem ilustrativa da minha infância. Tive a sorte de ter uma mãe que conseguiu me manter livre das “porcarias” até uma fase bem avançada da minha infância (depois ela desistiu, lutar contra a indústria cultural não é mole!). Antes de ela me largar de mão, um dia, após argumentar que bolachinhas recheadas, ou algo do gênero, faziam mal à saúde teve que ouvir a seguinte pérola: “Se faz mal, por que é que fabricam?”. Demorei a descobrir que a ética não está entre as prioridades das multinacionais (muito pelo contrário!).

Pensamento do dia

August 14, 2008

Eu queria votar num candidato que não entupisse minha caixa de correspondência. (Ok, eu nem voto em Porto Alegre mesmo… Podem continuar entupindo!)

Enecom (ou Pra quê publicar?)

August 5, 2008

Só falei aqui que ia no Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação (que neste ano ocorreu de 20 a 26 de julho em Niterói - RJ) aqui para me exibir não sei para quem (aluguém está lendo isso aqui?). Chegando no encontro até ensaiei uma apuração jornalística, mas logo desisti. Coisa mais masoquista inventar "trabalho" nas férias, ainda que seja um trabalho entre aspas…

Dias depois do evento, pensei em escrever um texto com as minhas impressões para publicar aqui. Da mesma forma que a apuração, apenas iniciei a escrita. Ainda que a finalizasse, seria inútil publicar: certamente o texto seria constituído por mais perguntas  - não raro mal formuladas, o que é ainda mais grave - que respostas. Ademais, como disse certa feita a grande professora Clarice Esperança ao fim de uma aula/oficina de charges: "Vamos publicar…[pausa] Pra quê publicar? Que mania de jornalista, querer publicar tudo!". Que isso sirva de justificativa para a desatualização constante desse blog.

Ah, sim, o Enecom. Só queria dizer uma única coisa: dentre as universidades federais, a UFRGS tem um dos piores cursos de comunicação do País (não estou falando de infra-estrutura, evidentemente, esta certamente está entre as melhores). [Parênteses dentro do parênteses: hoje em aula o professor Ungaretti falou que antigamente, quando a Fabico não tinha laboratórios, a faculdade era muito melhor.] E dos mais desarticulados com a sociedade e com os movimentos sociais. Conversei com inúmeras pessoas cujas universidades tinham parcerias com a comunidade onde estavam inseridas (a maoria delas visando a educação para a mídia). Meu acabrunhamento ia aumentando na medida que essas pessoas mencionavam detalhes desses projetos. "Hã.. lá UFRGS a gente tem uma cadeira no oitavo semestre chamada Jornalismo Comunidade, na qual o pessoal faz um projeto com os guris da Fase, mas eu não sei muito bem…". Eu vivo no cu do mundo mesmo (achei que o tinha deixado ao sair do interior, mas não…)! Só pode. Vou para a Paraíba, tchau.

Felicidade

July 7, 2008

 

Já reparou que todo ser que tenha um blog, isto é, desde o blogueiro mais obcecado ao mais relapso, faz um post para avisar, aliviado, que está de férias? E que a exclamação pode vir acompanhada de um "oba, agora poderei atualizar isso aqui!"? E que essa promessa raramente é cumprida? E que, não tendo o blogueiro atualizado o blog com freqüência superior a uma vez por mês, este post não fará nenhum sentido, afinal, nesse caso é provável que o improvável leitor mal saiba que a pessoa em questão faz uma faculdade ou algo do tipo?

Pois é, estou livre (e não há palavra mais perfeita que esta para definir meu atual estado). Sim, vou tentar atualizar umas duas vezes por mês, pelo menos (devo dizer que uma coisa aprendi neste semestre: a não estabelecer metas que não poderei cumprir! Um avanço e tanto! - non acham?)  

(E este seria um post incoerente se - e somente se - um blog não fosse um lugar no qual a criatura tem um salvo-conduto permanente para ter arroubos egocentristas sempre que lhe convier.)  

Um post nada cansativo para entreter as massas

January 9, 2008

"Por que eu vou ficar em pé, se sentada é melhor?
E por que eu vou ficar sentada, se deitada é melhor?"

Tia Margarida, professora de Geografia e História e bon vivant 

Eu estava sentada no sofá. Só estava me levantando para ir ao banheiro, mas tio Anderson - marido da tia Margarida, e, por tabela, seguidor de sua filosofia de vida - parecia ter uma recomendação importante a fazer:

- Ana! (pausa dramática) Não te cansa!

Interrompi o movimento. Pensei. Aí sim, finalmente, levantei-me.

= Fato verídico ocorrido em dezembro passado. Está aqui como uma pequena contextualização dos "pensamentos" (?) que seguem. (Sim, é uma muleta para um post capenga.)   

Sinto que deveria postar algo aqui. O problema é que sinto também que só vou conseguir terminar os textos que iniciei assim que tiver bastantes coisas (importantes) a fazer. Tudo bem, afinal, estamos de férias (eu pelo menos estou)! E o lema das férias deveria ser "não se canse". Ocorre que a gente acaba sempre se cansando (nem que seja de não fazer nada, como eu), é a sina de todos os membros da sociedade ocidental. A gente até consegue desligar, mas fica sempre em standby. E mesmo os iluminados -  que logram arrancar de algum modo o plug da tomada - só o conseguem depois de muito tempo, quando os "dias de labuta" já estão bem próximos.

Eu já disse aqui que algum dia ainda largo essa minha vida de estudante/dona-de-casa pseudoindependente para viver no campo, tirando leite da vaca (com trajes mais adequados do que na foto abaixo - sem precisar dar um nó na saia -, porém), cultivando a terra e tirando dela meu próprio sustento. Entretanto, enquanto esse dia não chega, eu permaneço ensaiando (ou fazendo pose, vocês que sabem). Tudo isso sem me cansar muito, naturalmente.


É só pose. Mas, o que não é? (Que nada! Até que saiu um leitinho…) 

 

Aqui jaz “Adubos Trevo”

November 19, 2007

Quando meu irmão estava se alfabetizando, nas viagens para a praia eu costumava indagá-lo durante o trajeto inteiro:

- O que que tá escrito ali, Rique?

Era tão irritante que, mesmo anos e anos depois, ao passarmos pela "Adubos Trevo", entre Canoas e Porto Alegre, meu irmão brincava:

- Ana, que que tá escrito ali?

Por algum motivo, o letreiro da "Adubos Trevo" marcou. É, meus amiguinhos, mas a piada terminou. Se eu não contar a meu irmão essa tragédia, da próxima vez que ele olhar para o letreiro e tiver um ímpeto de fazer a pergunta, tomará um baita dum susto. Por quê? É que, ao invés das palavras que marcaram a nossa infância, ele verá no letreiro um nome de mulher um tanto "bagaceiro": "Yara". Pois é, a Yara comprou a Adubos Trevo. Yara é uma multinacional, diz no site da mesma, que encontrei graças a Mestre Google. Não sei as implicações da incorporação da Adubos Trevo pela Yara. Tal fato não faz a menor diferença na minha vida (não sou eu quem está dizendo, segundo a sabedoria popular "o que os olhos não vêem o coração não sente"), exceto por uma piada recorrente ter perdido o significado. Nunca mais olharei pr’aquele letreiro do mesmo jeito.  Vagabunda, ladra de piadas, seqüestradora de lembranças, maldita multinacional!

P.S.: Em tempo: descobri isso hoje quando voltava de Santa Cruz.

Chuta que é jornalista!

November 8, 2007

Jornalistas são a escória da sociedade, bem que a colega tinha razão. Liguei prum “lugar” com o intuito de agendar uma entrevista com uma fonte em potencial. Antes de poder falar com quem queria, me fizeram “a” pergunta:

- Qual é o assunto, pra eu poder te encaminhar?

Não sei por que, sempre acho que intermediadores querem saber “o assunto” já farejando alguma fofoca. O que mais posso pensar se o fato de eu falar quem eu sou  e o que quero só parece dificultar as coisas? Seria bem mais fácil se eu dissesse que era a encanadora para quem a fulana tinha ligado pela manhã. Bem mais simples. E a ética jornalística que se exploda.

Continuando, aí lá vai a Ana Lúcia repetir a resposta de sempre:

 - Meu nome é Ana Lúcia, sou estudante de jornalismo e estou fazendo uma matéria sobre vida de professor… blablablablablabla (No tom de voz de quem sabe que vai ter de repetir essas sentenças pelo menos uma vez mais na mesma ligação).

 Ouvi a moça falando para a fonte em potencial que era “uma jornalista que estava fazendo uma pesquisa”. Depois são os jornalistas que distorcem os fatos, mas tudo bem. Por fim consegui falar com “a fonte” e “a fonte” RIU da minha pauta. Riu. Zombou. Fez pouco caso. Isso é só pra vocês irem imaginando o tom de voz que ela usou para dizer, depois de um “rara”:

- Vida de professor, essa é boa!

Vê se eu posso! Jornalista é escória. Azar, pelo menos “acho” que vou conseguir a entrevista. Ok, é mais prudente dizer que minha fonte querida não expressou intenção de fugir de mim*.

* Expressar intenção de fugir de um jornalista = dizer que “liga mais tarde”.    

História de Rodoviária

September 21, 2007

Discretas, coloridas, cor-de-rosa: há bolsas e malas para todos os gostos. Por causa do capitalismo, hoje temos a chance de escolher entre modelitos, os mais variados (não que uma mala cor-de-rosa difira muito de uma marrom em sua essência, mas é preciso reconhecer que temos essa "liberdade de escolha"). Os seres que carregam/arrastam essas bolsas ou malas também diferem bastante em sua aparência, contudo, como as malas, não têm essências lá muito diversas (vejam bem, aqui não estou falando dos desodorantes, colônias, deocolônias que usam).

Em meio à multidão de malas e gentes, estou eu, em pé (as cadeiras estão todas ocupadas) pensando em qualquer coisa. De repente, do nada, tenho um estalo.

Minha bolsa de viagem preta&discreta está no chão, entre minhas pernas, e tenho apenas uma das alças da mochila pedurada num dos braços. Tenho fome. Há uma bergamota dentro da mochila (sim, sou uma moça precavida), todavia, como não avisto nenhum lixo por perto onde possa jogar as cascas e sementes, não a como. Enquanto isso, dá-se o vai-e-vem de pessoas e malas. Uma senhora tem de se afastar dali para conseguir falar ao celular. Olho para o chão, vejo farelos de sagadinhos. Penso que, se eu fosse o Gay Talese (ou o Truman Capote), trataria de descobrir quantos pacotes dessas porcarias são vendidos ali por dia. Ah, e obviamente, qual é o salgadinho preferido de cada tipo de viajante. Mas como não sou Talese, nem Capote, posso afirmar apenas que aqueles farelos pareciam ser de pastelina (ótima escolha, por sinal). Eis que, como se lesse meus pensamentos, uma funcionária uniformizada aparece com uma vassoura e uma pá. Pede licença. Eu digo "sim" e me afasto um pouco. Quando acaba  serviço, ato contínuo uma moça ocupa meu cantinho e tenho de procurar outro lugar para me abrigar enquanto o ônibus não vem (ainda falta meia hora). Felizmente, a multidão já se espalhara e tenho alumas opções. Paro então exatamente no ponto em que as pessoas querem passar. Tem uma moça ao meu lado, firme e forte, me ajudando a obstruir a passagem dos loucos das malas. Provavelmente ela está distraída, uma vez que folheia uma revista que tento a todo custo descobrir qual é, mas não consigo. Sem dar tempo de eu me frustrar por minha empreitada ter falhado, surge meu Semancol e convida, em tom jocoso: "Vamos desobstruir a passagem, Ana Lúcia?". Digo "sim, senhor Semancol" e me posiciono ao lado do box 40, onde um ônibus da Viação Santa Cruz deve chegar a qualquer momento.

Quero comer minha bergamota. Penso que só vou conseguir fazer aquilo dentro do ônibus. Imagino as pessoas reclamando do fedor provocado pela pseudofarofeira aqui. "Não é uma boa idéia", concluo.

Aquela região dos boxes em geral é dominada por pessoas muito ocupadas olhando para a pista de onde surgirá o ônibus em que embarcarão. Bento, Azul, Santa Cruz. "Êba", vibro. O ônibus passa reto. São dez pras oito e nada do meu bonde chegar. Fico preocupada. Esse estado dura somente o tempo de eu avistar uma lixeira. Feito! Pego a bergamota. Embora ela não estivesse muito doce, como-a com gosto.

Termino de comer e nada do ônibus. Já são cinco pras oito! Planejo perguntar ao motorista, assim que chegar, o que aconteceu e, desse modo, conseguir um final surpreendente para meu texto.

O relógio da rodoviária marca oito horas em ponto quando o Viação Santa Cruz chega. Entrego minha mala ao cobrador para que a coloque no porta-malas e adentro o veículo. Lembro-me da idéia besta de perguntar ao motorista o motivo do atraso. É óbvio que houvera um engarrafamento ocasionado pela véspera do feriadão. Penso em que papel escrever ("o texto de Política VIII ou o livro de inglês?"). Outra idéia besta: ainda que não vá dormir, estou cansada demais para escrever qualquer coisa. Reclino a poltrona ao máximo rezando para que o passageiro a minha frente não faça o mesmo. Sim, tenho pernas compridas (eu e tio Nelson Jobim). Fecho os olhos pedindo ao papai do céu para não esquecer a história que acabara de vivenciar e criar simultaneamente. 

Prefácio pós-moderno

September 1, 2007
UMBIGO - Quando me inscrevi no vestibular para jornalismo (ou melhor, Comunicação Social - Hab. Jornalismo), nutria uma série de ilusões que renderiam um baita livro (a bem da verdade, acho que ainda não me desvincilhei de todas elas). Como acredito que ainda não tenha chegado o momento oportuno para escrever um livro, vou falar de apenas uma das minhas (ex-)ilusões: a de que a faculdade me estimularia a escrever textos geniais, isto é, ainda mais geniais do que os que eu escrevia na época (sim, eu admito que modéstia pouca era bobagem naquele período da minha vida).

SAINDO DAS IMEDIAÇÕES DO UMBIGO - Qualquer um sabe que cerca de 99% dos estudantes de jornalismo se enquadram em uma das seguintes categorias: músico frustrado (8%), "jornalismo é uma área ampla", ou, traduzindo, não-sabia-o-que-fazer-da-vida-e-não-gostava-de-matemática (12%) e escritor frustrado (79%). Nem preciso dizer que me enquadro na última categoria.

DE VOLTA AO UMBIGO - Na faculdade, depois de passar por um monte de cadeiras nada a ver com jornalismo e chegar nas cadeiras específicas (de jornalismo), nesse semestre matriculei-me para a cadeira de Laboratório de Textos, o que considero uma manifestação semi-consciente da minha vontade de lutar contra essa força oculta que confiscava minha criatividade me impedindo, assim, de escrever. E, pasmem, a ilusão do início do texto virou realidade. Pelo menos nessa cadeira encontro um estímulo para viajar na maionese (e o melhor: esquecendo os abomináveis Manuais de Redação e Estilo!).

Dito isso, que venha a inspiração (e a transpiração)! ( Até porque ainda estou devendo o texto da semana passada.)

P.S. O legal de blogar é que eu posso escrever um texto ególatra com algumas características típicas de texto jornalístico mandando os manuais de redação pro espaço.
P.S. (2) O irônico é que a professora de Laboratório de Textos é a mesma que nos ensinou a usar intertítulos e retrancas, e a fazer lides
P.S. (3) Mas o mais legal é que este texto deveria servir apenas para dizer o motivo da criação do blog (que poderia ser expresso numa só frase): tomei vergonha na cara (onde já se viu uma estudante de jornalismo não ter um blog para dar seus pitacos sobre o que quer que seja?!). no semestre passado.

Ah! É dia dos pais…

August 13, 2007

Hoje acordei e nem lembrei que era dia dos pais. Só quando estava escovando os dentes depois do café que ouvi minha avó desejando feliz dia dos pais ao meu pai. Fui então dar meu presente a ele: um abraço, é claro. O melhor presente, para meu pai - segundo uma definição injusta de minha mãe - é não gastarem o dinheiro dele. Eu diria que esse é o segundo melhor presente (o primeiro é o meu abraço, obviamente).

Enfim, o fato é que já pela manhã deste domingo viemos a Porto Alegre especialmente para que aquele ser responsável pela existência desta que vos escreve fizesse vários daqueles "serviços de pai" (montar guarda-roupa, perfurar paredes, etc.). Ele fez tudo isso e mais um pouco (é graças a ele também que posso postar agora esse texto).

Ao final do dia eu nem lembrava mais que era dia dos pais. Só quando ele já tinha ido embora que pensei: "Puxa, fiz meu pai trabalhar no dia dele". Aí lembrei também de um monte de outras coisas que ele fez por mim. E pensei que eu dificilmente faria tudo aquilo por alguém.

Pai, feliz dia dos pais!