Na sexta-feira 13 nov 2009 SAIA DE SAIA

November 7, 2009

 

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1361871-5605,00-PARA+UNIVERSITARIAS+DE+SP+MINISSAIA+NAO+COMBINA+COM+SALA+DE+AULA.html

E a gente às vezes ainda pensa que o machismo acabou.

Triste é que a causa feminista só ganha visibilidade quando uma mulher sofre uma coisa dessas - um ataque de grandes proporções.

E as piadinhas que a gente tem de ouvir quase todos os dias? E as cobranças do namorado, marido, família em relação ao nosso corpo, cabelo, etc.? E as mulheres que são violentadas por seus maridos? E a tripla jornada de trabalho? E a opressão que nos é impingida desde o berço?

Quando eu ouço falar em saia, de imediato me vêm à mente três amigas do colégio (duas delas são minhas grandes amigas até hoje). Elas eram conhecidas na escola por usarem saias. Sim, também eram consideradas putas por isso. E, se os meninos se passavam -e eles se passavam muito -, a culpa era delas.

A seguir, um artigo interessante de Contardo Calligaris publicado na Folha de S. Paulo.


A turba da Uniban
 
NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".
Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.

ATIVIDADE: A luta A luta pela democratização da comunicação e a I Conferência Nacional de Comunicação na Fabico

October 29, 2009

Sabia que comunicação não é só um curso superior, um produto, um campo de conhecimento acadêmico que estuda os processos de comunicação humana, um processo através do qual elementos de determinados grupos compartilham códigos e significados e tornam comuns ativos de informação ou conteúdos, a transmissão de uma mensagem - exposição oral ou escrita - sobre determinado tema?

COMUNICAÇÃO É DIREITO HUMANO!*

Sabia que cerca de 80% das informações que os gaúchos e gaúchas consomem provém de um mesmo grupo empresarial controlado por uma única família?

Sabia que as leis brasileiras proíbem o monopólio dos meios de comunicação e que uma mesma pessoa tenha canais de TV e rádio num mesmo Estado? (Parece que a mídia não gosta muito de leis…)

Sabia que a “Lei dos Meios”, aprovada na Argentina recentemente, dividiu o espectro de radiofrequência, onde se localiza o canal utilizado por uma emissora de rádio ou televisão, em três partes iguais, sendo que um terço ficou reservado para a sociedade civil não-empresarial e sem fins lucrativos (igrejas, sindicatos, universidades, ongs, entidades comunitárias, entre outros), e o restante para o setor público-estatal e grupos privados com fins comerciais?

E que essa mesma lei diz que a publicidade infantil não deve incitar a compra de produtos, e institui um limite 20% do tempo diário de um canal para toda a publicidade?

Sabia que nos dias 17 e 18 de novembro acontecerá a Conferência Estadual de Comunicação, na qual serão eleitos delegados que participarão da Etapa Nacional?

Sabia que de 14 a 17 de dezembro, em Brasília, acontecerá a I Conferência Nacional de Comunicação? (Há boatos de que ela é fruto de uma antiga luta pela democratização da comunicação…)

Sim? Não? Então venha discutir conosco!

A luta pela democratização da comunicação e a I Conferência Nacional de Comunicação Quando? 11 de novembro, quarta-feira, das 8h30 às 12h.

Com quem? Bruno Lima Rocha, professor e pesquisador da Faculdade de Comunicação da Unisinos e redator do sítio Estratégia e Análise e militante da Abraço (Associação Brasileira de Rádios Comunitárias),.

Eduardo Vizer, professor e pesquisador da Faculdade de Ciências Sociais do Instituto Gino Germani da Universidade de Buenos Aires (UBA).

Cristina Feio Lemos, sindicalista, membro da Comissão RS Pró-Confecom.

Onde? Auditório da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação) da UFRGS - Ramiro Barcelos, 2705 - Porto Alegre - RS

Bastidores de uma reportagem em construção ou O povo não é bobo

May 3, 2009

Terrorismo poético. Esse é na João Pessoa, mas está por toda a cidade.

Hoje a Paula e eu estivemos no Acampamento Jair Antonio da Costa (do MST), em Nova Santa Rita - RS (que fica no território de um assentamento do MST).

Na volta, pegamos uma carona temerária. O cara era um alemão [o que, segundo as definições do Aiculana, significa gíria para pessoa loira de olhos azuis, com pele avermelhada e, não raro, de origem alemã, com sodaque] e estava (levemente) bêbado. Mas enfim, meu objetivo aqui não é me prosear por ter corrido risco de morte (TÁ, BEM MENAS, BEM MENAS) na volta de uma saída de reportagem. O ponto que eu queria destacar é que o alemão-  um senhor de uns 50 e poucos - disse assim, ó:
- Pra mim, o governo devia pegar essas pessoas [do MST] e cadastrar todas elas, aí dava um lote de terra para cada um e não ia existir mais sem terra.

E mais: o cara tinha consciência de que terras produtivas não podem ser desapropriadas ("meu cunhado [ou algum parente ou amigo, a proto-repórter aqui tem péssima memória] fica com medo que os sem terra apareçam na fazenda dele. Eu digo pra ele ‘tu tá produzindo, eles não vão vir aqui’, mas não adianta").

Embora de início tenha se mostrado influenciado pelas reporcagens (para usar a expressão desse tio) que generalizam dizendo que os integrantes do movimento só querem terra para depois vender e tirar um $$, após a minha explicação ele se mostrou razoável. Não reagiu conforme o manual da direita burra, cuja característica mais marcante é não ouvir os argumentos que não lhe convem. Simplismos à parte, o cara daria um banho em muito reporco (sem perdão pelo trocadilho).

“Ella não pode continuar”, mas a luta maior é contra o capitalismo!

March 31, 2009

Os estudantes do Colégio Parobé captaram o espírito da luta: ela é contra o capitalismo, do contrário, outras Yedas, FHCs, Lullas, Rigottos, Collares, Collors virão.

De Ato 3003

Cuidado!

December 11, 2008


 
Andava atormentada por uma séria dúvida: será a indiferença uma falha ética? Agora está tudo resolvido para mim, já tenho a minha resposta – eu disse a minha resposta, é bom frisar, para que não pensem que sou uma ditadora do pensar.

Ética é um daqueles vocábulos muito empregados e pouco pensados – os jornalistas que o digam! -; conceituaremos, pois. Utilizo aqui a definição que Leonardo Boff expõe no livro “Saber cuidar” (aliás, único livro sobre ética que a humilde escriba leu até hoje). A definição de Boff é muito simples e, por isso, bela. Ética, para ele, nada mais é que o cuidado no sentido mais amplo da palavra. Este cuidado se estende, então, do ser humano até qualquer coisa que possa ter a mais remota ligação com o ele. É o cuidado com a vida. Mas não somente o cuidado com o corpo, mas também com a alma. Não somente consigo, mas com o outro. Não somente com a casa, mas com a natureza. Em suma, cuidar da vida como um todo, trata-se do extremo oposto ao “foda-se” de nosso tempo.

Num primeiro olhar, a palavra cuidado pode remeter a uma situação excepcional ("tome cuidado!", "eeei, cuidado!") ou mesmo à área da saúde. A mim, por exemplo, traz à mente a imagem de um médico recusando-se a atender um paciente gravemente enfermo. A ética não tem “poréns”: a meu ver, o “porém” de que ele estava recebendo R$1,00 por consulta, o “porém” de que ele estava trabalhando em condições precárias não servem. Todavia, assim como um médico comete uma falha ética ao não atender a um paciente, um jornalista faz o mesmo ao não defender os interesses da classe da qual faz parte. O mito da imparcialidade faz com que se crie a ilusão de que todos são iguais, só que patrão e empregado não são iguais, mulher e homem não são iguais, brancos e negros não são iguais! O que quero dizer com isso é que o poder (econômico, político, simbólico) de que dispõem são assimétricos! Por que eles haveriam de ser tratados equanimemente por um jornalista que finge ser um Deus (acima do bem e do mal), quando, na realidade, é apenas mais um funcionário mal-remunerado? Só não vale argumentar que profissional e pessoa são “entidades” distintas!*

É certo que não ignoro que a imprensa está subordinada a interesses econômicos, como qualquer empresa privada, e que, no contexto atual, falar de qualquer espécie de ética soa como piada, uma vez que o simples fato de a indústria cultural incentivar o consumo de supérfluos ou de compostos feitos em laboratório disfarçados de alimentos (porcarias cheias de aromatizantes, corantes, acidulantes, gordura hidrogenada, açúcares, ou, em bom português: sem valor nutricional algum, ou seja, que não são alimentos)** já deixa a situação dessas empresas bastante problemática (estou falando em relação a valores éticos, não monetários). E nem vou entrar aqui nas tão faladas relações promíscuas com os anunciantes!           

Ética, gente, nada mais é do que saber ser humano, em tudo o que há de bom nisso. É bom lembrar que, se cometemos os atos mais horrendos, somos também capazes das coisas mais belas! Talvez se aprendermos - e ensinarmos a quem pudermos - a cuidar sempre, não só na curva, na descida íngreme, ou com o quebra-molas.

 

* Vale indicar a leitura do texto <"http://www.pontodevista.jor.br/blog/?p=261">Showrnalismo, o ensino da Covardia, de autoria de W.U.

** Não sei se já contei aqui uma historinha bem ilustrativa da minha infância. Tive a sorte de ter uma mãe que conseguiu me manter livre das “porcarias” até uma fase bem avançada da minha infância (depois ela desistiu, lutar contra a indústria cultural não é mole!). Antes de ela me largar de mão, um dia, após argumentar que bolachinhas recheadas, ou algo do gênero, faziam mal à saúde teve que ouvir a seguinte pérola: “Se faz mal, por que é que fabricam?”. Demorei a descobrir que a ética não está entre as prioridades das multinacionais (muito pelo contrário!).

UFRGS: Para que(m) te quero?

November 23, 2008

Ontem à noite, em frente ao DCE da UFRGS, uma moça que  visivelmente não tinha acesso a qualquer universidade perguntou o que funcionava na segunda porta ao lado. "É a Casa do Estudante", respondi. "Tem gente que mora ali?", perguntou, incrédula. "Sim", eu disse com um tom de "nossa, como tu é perspicaz". Ante o seu encantamento com a resposta, continuei: "É, ali moram estudantes da UFRGS, pessoas que vêm do interior para estudar na UFRGS". "É que eu sempre via gente entrando e saindo dali e queria saber o que era", explicou. Depois agradeceu e seguiu seu rumo.

Na festa tocou "A burguesia fede": o fedor estava mesmo insuportável.

Seminário Estadual Pró-Conferência Nacional da Comunicação

November 21, 2008

Não ao espigão!

November 12, 2008

Estudantes protestam contra projeto Pontal do E$taleiro, que deve ser votado daqui a pouco. 

O colega da FABICO Cristiano Muniz está realizando em seu blog uma bela apuração referente ao assunto (clique aqui para ler os posts com a tag "Pontal do Estaleiro").

 Update: Pontal do Estaleiro foi aprovado pelos vereadores (QUE MERDA!)

Fronteiras do Pagamento

August 7, 2008

Foto retirada do site do evento.

Mamãe, diretamente da Capital Mundial do Fumo, informa que o David Lynch estará em Porto Alegre, mais precisamente no Salão de Atos da UFRGS. Ela leu em ZH.

É tão gozado não reiterarem que as vagas estão esgotadas e que só quem comprou um passaporte para TODOS OS DIAS por módicos 500 [quinhentos] reais poderá sentar sua bundinha nas poltronas do Salão de Atos da Universidade FEDERAL do Rio Grande do Sul no dia. 

Mas enfim, como eu já sabia - do preço e da vinda do cineasta -, tal fato não me causou maiores traumas (mesmo porque assisti ao meu primeiro filme do David Lynch no final de semana passado graças a mamãe curiosa, que havia lido em ZH sobre o lançamento do livro do homi e quis conhecer sua obra cinematográfica).  

E quanto ao "Fronteiras…", vamos ver se no ano que vem consigo um pai/mãetrocínio, porque neste ano não rolou. Quer dizer… me recuso a ir nisso aí (ainda que ganhasse um passaporte)! 500 pila é um absurdo! E ainda dentro da universidade pública, essa gente não tem vergonha? Não, não tem. A vergonha fica por conta dos "divulgadores"… Vai ver temem que as imediações do Campus se transformem em zona de assaltos nos dias do evento…